Disfunção erétil pode ser sinal de risco para infarto e AVC, alerta especialista

Estima-se que mais de 100 milhões de homens em todo o mundo convivam com a disfunção erétil. No Brasil, a condição atinge cerca de 50% dos homens acima dos 40 anos, o que representa aproximadamente 16 milhões de brasileiros. Mais do que um problema relacionado à vida sexual, a dificuldade persistente para alcançar ou manter uma ereção pode ser um importante sinal de alerta para doenças cardiovasculares.

Segundo o urologista Camilo Milanez, a ereção depende diretamente do bom funcionamento da circulação sanguínea, e alterações vasculares podem indicar que algo não vai bem com a saúde do coração.

“A ereção é um fenômeno vascular. Quando os vasos sanguíneos começam a apresentar obstruções ou alterações provocadas por diabetes, hipertensão, colesterol alto ou obesidade, um dos primeiros sintomas pode ser justamente a dificuldade de ereção. Muitas vezes, a disfunção erétil aparece antes mesmo de um evento cardiovascular mais grave, como infarto ou AVC”, explica o especialista.

De acordo com o médico, homens com gordura abdominal elevada, pressão alta, triglicerídeos alterados, glicose elevada e baixos níveis do colesterol HDL podem apresentar a chamada síndrome metabólica — condição que aumenta significativamente o risco cardiovascular e também está diretamente associada à disfunção erétil.

Disfunção erétil pode ser sinal de risco para infarto e AVC, alerta especialista
Camilo Milanez, urologista – Foto: divulgação

“Muitos pacientes chegam ao consultório buscando apenas resolver a questão sexual, mas a investigação precisa ir além. Em alguns casos, estamos diante de um alerta precoce para doenças cardiovasculares silenciosas”, ressalta.

Outro ponto de preocupação, segundo o especialista, é o uso indiscriminado de medicamentos para ereção sem acompanhamento médico. A automedicação pode representar riscos importantes, especialmente para homens que possuem doenças cardíacas ainda não diagnosticadas.

“O uso desses medicamentos sem avaliação médica pode mascarar problemas mais graves e até provocar complicações em pacientes com doenças cardiovasculares”, alerta o urologista.

Thauane Lima
Thauane Lima
Bacharel em Jornalismo pela UFES

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