A obesidade infantil é um problema crescente e preocupante em todo o mundo. De acordo com o Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescente cerca de 32 em cada 100 pessoas de 0 a 19 anos tem excesso de peso no Brasil. Só na capital do Espírito Santo, dentro da mesma faixa etária, em 2024, foram 9.053 registros.
Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) e evidenciam que a obesidade em crianças e adolescente é uma realidade que cresce a cada dia. De acordo com o Global Atlas on Childhood Obesity até 2030 a expectativa é de que o Brasil ocupe a 5ª posição no ranking das nações com maior número de crianças e adolescentes diagnosticadas com obesidade.
Tal cenário impõe desafios significativos para a saúde pública, pois crianças com obesidade têm maior probabilidade de se tornarem adultos com obesidade, aumentando os riscos de desenvolverem doenças crônicas de diferentes tipos, como diabetes, problemas cardíacos e até câncer.
Neste contexto, a promoção da atividade física para crianças surge como uma estratégia fundamental para combater a obesidade e promover um estilo de vida saudável desde cedo. De acordo com o profissional de educação física, Gustavo Menegh, a criança precisa começar a se movimentar desde o nascimento.
“Ao contrário do que era dito antigamente de que atividade física atrapalha o crescimento, hoje nós sabemos que não existe uma restrição de idade, a criança já pode começar a praticar exercícios com três, quatros anos. Exatamente o hormônio do crescimento, que é o GH, está ligado a atividade física”, explicou.
Gustavo assegura que os pais desempenham um papel fundamental na formação dos hábitos saudáveis dos seus filhos. Eles são os responsáveis por incentivar a criança nesse processo, fazendo com que ela aprenda que a prática de exercícios físicos e a alimentação saudável integram a sua rotina.
“A criança sempre vai se espelhar nos pais, se os seus responsáveis não se exercitam, não tem uma boa alimentação, a criança vai copiar o que está sendo servido de exemplo para ela”, frisou.
De acordo com o Ministério da Saúde o aumento do consumo de alimentos ricos em açúcares e gordura e a diminuição da prática de exercícios físicos são os principais fatores relacionados à obesidade infanto-juvenil. Em crianças e adolescentes, a prática de atividade física, além de combater o sobrepeso e a obesidade, contribui para o desenvolvimento e crescimento saudável.
É importante frisar que os exercícios físicos também têm um impacto positivo na saúde mental das crianças, podendo reduzir o estresse, melhorar o humor e aumentar a autoestima. Segundo o educador físico, o exercício regular tende a melhorar a concentração e desempenho acadêmico, bem como relações sociais mais saudáveis.
“O excesso de gordura não tem nada haver com a estética, mas sim com a saúde. É muito importante salientar que o sobrepeso atrapalha absorção de hormônios, inclusive os chamados hormônios da felicidade, propiciando até mesmo a depressão”, ressaltou.
Dicas de atividades físicas para crianças
Existem várias atividades físicas recomendadas para crianças, que podem ser adaptadas conforme os interesses e capacidades de cada uma. São elas:
Esportes de quadra: futebol, basquete e vôlei são excelentes opções, pois, além de promoverem a atividade física, também incentivam o trabalho em equipe e a socialização.
Natação: a natação é uma atividade física completa para crianças, uma vez que ela trabalha todos os grupos musculares e melhora a capacidade cardiovascular, além de ser uma habilidade de vida importante.
Ciclismo: andar de bicicleta é uma maneira divertida e eficaz de melhorar a resistência física e explorar o ambiente ao ar livre.
Dança: a dança é uma atividade divertida que combina exercício físico com expressão artística, ideal para crianças que gostam de música e movimento.
A prevenção começa na gestação, explica especialista

Há 18 anos atuando no ramo da nutrição infantil, a nutricionista Giselle Guzzo explicou que a obesidade é uma doença multifatorial ou seja, pode se desenvolver por vários fatores, podendo inclusive iniciar ainda no útero da gestante.
“Estes fatores podem ser genéticos e epigenéticos. Portanto não tem uma causa específica, mas sem dúvida a alimentação inadequada desde a gestação, lactação e na primeira infância está relacionada com o aumento da obesidade infantil e também na fase adulta”, explicou.
De acordo com Giselle, quando o assunto é especificamente obesidade em crianças, dependendo do ambiente que o pequeno está inserido, a chance de desenvolver a doença aumenta significativamente. “Obesidade é uma doença crônica e inflamatória e pode sim, causar diabetes, pressão alta, dislipidemias e em casos específicos até câncer”, ressaltou Guzzo.
Em entrevista ao EShoje a especialista alertou ainda que a prevenção da doença tem início na gestação. “A gestante precisa ter um bom controle de peso gestacional assim como gestação saudável, priorizar o aleitamento materno, fazer a introdução alimentar respeitando os sinais de prontidão e claro excluir açúcar, adoçante e ultraprocessados na rotina da família toda”, frisou.
Vitória cai 109 posições no combate a obesidade infantil

Na capital, o enfrentamento a obesidade infantil apresentou índices preocupantes no
Ranking de Competitividade dos Municípios. A capital capixaba está na 307ª posição, após cair 109 posições em relação ao ano anterior.
Recentemente, o vereador Bruno Malias (PSB) encaminhou à Prefeitura de Vitória uma
cobrança de atenção a medidas necessárias para redução da obesidade infantil na
cidade. Segundo ele, a problema é uma realidade no Estado e possui diferentes fatores envolvidos.
“Como recomendam as instituições de saúde, é urgente a adoção de medidas como a redução da utilização das telas, o consumo de alimentos processados e o incentivo a realização de atividades físicas pelas crianças. Vamos cobrar que o Município tenha um plano de controle e redução da obesidade infantil”, destacou.
A respeito da queda acentuada no ranking, o EShoje demandou a prefeitura de Vitória para saber quais medidas de combate a obesidade infantil são promovidas pelo município. No entanto, até o fechamento da reportagem, não obteve retorno.
Redução de industrializados na merenda
O Governo Federal publicou uma resolução na última terça-feira (04) para reduzir de 20% para 15% o limite de alimentos processados e ultraprocessados que poderão compor o cardápio das escolas públicas brasileiras em 2025, por meio do Programa Nacional de
Alimentação Escolar (PNAE).
Em 2026, o limite de ultraprocessados na merenda será reduzido ainda mais, para até
10%. O programa atende 40 milhões de crianças e jovens em 150 mil escolas dos 5.570
municípios do Brasil. O objetivo é oferecer alimentação mais saudável aos estudantes, priorizando alimentos mais nutritivos, produção local e maior diversidade de cultura alimentar das regiões do país, segundo informou a Agência Brasil.









