Burnout é uma das doenças que mais têm registrado crescimento de diagnósticos. Ainda assim, muitas pessoas nem se dão conta que estão sofrendo com esse mal, porque os sintomas costumam vir de condições e dificuldades que podem mascará-lo, como destaca o especialista em terapia cognitivo comportamental, André Zonta.
“Muitas pessoas que estão com sintomas de ansiedade quando chegam ao consultório, após algumas sessões para conhecer a história de vida do paciente, verifica-se que na verdade sofre de burnout”.
Mas é doença ou síndrome? De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o burnout é uma doença ocupacional, diretamente ligada ao contexto do trabalho, sendo causada por estresse crônico prolongado no ambiente profissional. “Esse estresse excessivo pode surgir devido a pressões, demandas, conflitos, longas jornadas de trabalho ou falta de apoio no ambiente laboral.
No Espírito Santo, de acordo com o Ministério da Previdência Social, a concessão de benefícios acidentários por causa do burnout foi passou de três em 2021 – 5 em 2022 – para sete em todo ano passado. Os números de 2024 ainda não estão consolidados. No Brasil, são 823 casos em 2021; 1.151 em 2022 e 1.755 em 2023.
A Secretaria da Saúde (Sesa) informa que Síndrome de Burnout não é de notificação compulsória e, por isso, não há dados específicos de novos diagnósticos que sejam fieis à realidade no Estado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, reforçando sua relação com o ambiente de trabalho, antes disso, na CID 10, o burnout era identificado com o código Z73 (problemas relacionados com a organização do modo de vida).
No Brasil, ele também é reconhecido como uma doença ocupacional, e os trabalhadores diagnosticados com essa condição podem ter direito a benefícios trabalhistas, como o afastamento pelo INSS. Isso significa que o burnout não é uma doença “geral”, mas sim uma condição associada especificamente ao ambiente e às dinâmicas do trabalho.
Mas de onde vem essa doença?
O estilo de vida, sob a correria e as multifunções justificam o desenvolvimento do burnout. Isso porque é esse tipo de vida que adoece.
Durante a pandemia as pessoas se desesperaram por tudo que estava acontecendo, as dúvidas e os medos. Mal sabíamos se todos sobreviveríamos, muito menos como seria a vida e a situação profissional. Desta forma, a saúde mental foi muito afetada.
“O home office não foi um desenvolvimento, foi uma solução do dia para noite. Não sabiam respeitar seus limites e as pessoas acabavam ficando até mais tarde no trabalho. Havia dificuldade para separar trabalho da vida pessoal. Dados do próprio INSS apontam que houve um aumento significativo de afastamentos após o período da pandemia por conta do Burnout. De 178 afastamentos, em 2019, o Brasil passou para 421, em 2023, um aumento de 136%”, destacou.
Principais sintomas

De acordo com o psicólogo André Zonta, a doença apresenta sintomas físicos e psicossomáticos, e os principais são dores de cabeça, problemas gastrointestinais, tensão muscular, alterações de apetite, ansiedade e crises de pânico, depressão a tristeza profunda, apatia, humor deprimido.
“Essas queixas frequentemente resultam em uma queda significativa no desempenho profissional e pessoal, afetando também a qualidade de vida. Se não tratado, o Burnout pode evoluir para quadros mais graves, como depressão profunda ou transtornos de ansiedade severa, reforçando a importância de buscar apoio médico e psicológico ao perceber esses sinais”.
Tratamento
Como é uma doença que afeta o físico e o psíquico, não basta tomar remédio. O tratamento para a Síndrome de Burnout é multidisciplinar e visa abordar tanto os sintomas físicos e emocionais quanto as causas subjacentes do esgotamento.
“Ele envolve, geralmente, intervenções médicas, psicoterapêuticas e mudanças no estilo de vida e no ambiente de trabalho. O objetivo é recuperar o bem-estar físico, mental e emocional do indivíduo e prevenir novas crises”.
Uma outra forma de tratar a síndrome é a psicoterapia, dessa forma o indivíduo consegue forças, ou sabedoria para se entender dentro do quadro.









