Mulheres têm mais chances de desenvolver problemas oculares, aponta pesquisa

Uma pesquisa realizada pela organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, a cada três pessoas cegas no mundo, duas são mulheres. Isso acontece porque elas são mais propensas a desenvolver doenças oculares em comparação aos homens.

Mas por que isso acontece? A médica oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória, Larissa Casteluber, explica que existem fatores essenciais às mulheres que podem influenciar na saúde ocular. “A expectativa de vida mais longa, aliada às mudanças naturais no corpo, e as flutuações hormonais ao longo do tempo são agentes que podem sim afetar os olhos”.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de vida para uma pessoa nascida no Brasil em 2022 era de 75 anos. Para os homens, essa média era de 72, enquanto para as mulheres 79.

“É comum acontecerem alterações no globo ocular com o passar do tempo, como o afinamento da conjuntiva e o aumento da transparência da esclera, que causa o tom azulado dos olhos nos idosos. Além disso, tem a degeneração macular relacionada a idade e outras doenças. Então, quanto maior a expectativa de vida, maiores são as chances de desenvolver esses problemas”, ressalta a especialista.

Ciclos

De acordo com a especialista um dos fatores que podem influenciar na perda ocular é a gestação. “Durante a gravidez, a retenção de líquido, que é normal, principalmente nos últimos meses da gestação, podem alterar o formato e a espessura da córnea e do cristalino. Essas alterações contribuem para a alteração do grau de visão da mulher. Também são comuns sintomas como coceira, fotofobia, vista embaçada, pontos brilhantes ou manchas escuras na visão, e olho seco”, afirma.

A menopausa, uma fase muito importante da vida da mulher, também afeta a visão. “Isso acontece por causa da variação hormonal. Neste contexto, a qualidade das lágrimas é comprometida, falhando em sua função de lubrificar a córnea de forma adequada. Como resultado, há um aumento do desconforto ocular, sensação de areia nos olhos, o que pode resultar em condições oculares crônicas”, explica.

Cuidados

Como tudo passa pelo autocuidado, não existe milagre. Por isso é importante incluir o oftalmologista na lista de médicos ao fazer a revisão anual. “As mulheres passam por várias mudanças ao longo dos anos que afetam diretamente a saúde ocular. Por isso, é essencial manter um acompanhamento com o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. Se tiver problemas como diabetes e doenças cardiovasculares, o intervalo diminui para a cada seis meses”

A médica ainda alerta que os hábitos de vida saudáveis também fazem toda a diferença. “A forma como levamos a nossa vida impacta diretamente na saúde dos nossos olhos. Tenha uma dieta equilibrada, evite bebidas alcoólicas e fumo, pratique exercícios, use óculos de proteção. Essas são algumas práticas que precisam fazer parte do nosso dia a dia”, orienta.

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