Setembro em Flor: campanha alerta mulheres sobre os cânceres ginecológicos

Além de ser a estação da Primavera, setembro é o mês escolhido para o desabrochar da consciência feminina de autocuidado, de olhar e sentir, com o Setembro em Flor, um movimento criado pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) com o intuito de conscientizar a população feminina acerca dos cânceres que acometem o aparelho reprodutor feminino (útero, ovário, endométrio).

O cânceres afetam cerca de 30 mil brasileiras por ano, segundo o Instituto nacional de Câncer (Inca). O EVA é um grupo multidisciplinar para ensino, pesquisa, extensão e relação institucional entre profissionais e grupos de Ginecologia Oncológica.

Alyssa Miranda, do projeto de mulheres oncologistas, focado na jornada do paciente oncológico (Ellas), é oncologista e relata sobre o tipo mais agressivo da doença. “O câncer de ovário é o mais agressivo devido à dificuldade de diagnóstico, se manifestando, em geral, em estágios mais avançados da doença, com alta taxa de letalidade”.

Além disso, ela explica, não existem recomendações de rastreamento, seja com imagem ou marcadores tumorais. “Mesmo naquelas pacientes carreadoras de mutações BRCA 1 e 2. Portanto, uma vez ciente dos fatores de risco, orientações quanto evitar excesso de peso, hábitos saudáveis e consultas regulares ao médico são fundamentais”.

Faixa etária

Além de silenciosa em muitos casos, a doença não escolhe uma fase da vida para surgir. Não existe uma idade para desenvolver. “Depende. O risco de câncer de ovário aumenta com a idade, principalmente após os 50 anos. Aproximadamente metade das pacientes diagnosticadas tem mais de 60 anos. Quando acontece antes dos 50, é importante ficar atento à presença de mutações genéticas como BRCA 1 e 2 e Síndrome de Lynch (condição genética hereditária). Até 25% das pacientes com câncer de ovário podem ter uma dessas mutações hereditárias”.

Os exames papanicolau, ultrassom transvaginal, devem ser realizados sempre que forem solicitados pelo ginecologista. Algumas mulheres tem o hábito, de todo ano, fazer os exames tradicionais (sangue e urina) e existem aquelas que só vão em último caso, dizendo que não devem procurar o que não perderam.

De qualquer forma, as mulheres frequentam mais o consultório médico que os homens, mas nem todas têm a conscientização sobre os cânceres ginecológicos. “É importante que a mulher conheça os sintomas suspeitos e fique atenta, caso apresente um ou mais sinais, como sangramento vaginal anormal, dores pélvicas, inchaço abdominal, lesões na vagina, como bolhas e feridas, e perda de peso sem causa aparente”, orienta Virgínia Altoé Sessa, oncologista clínica e membro do EVA.

Os sintomas dos cânceres ginecológicos variam muito de acordo com o tipo e a localização do tumor, mas é fundamental ficar atenta a esses sintomas e, se apresentar um ou mais, procurar um ginecologista.

“Além disso, a mulher precisa se conscientizar da importância de manter os exames ginecológicos em dia que, entre outros benefícios que contribuem para o diagnóstico precoce da doença. Isso aumenta muito as chances de cura”.

Vacina HPV

O SUS oferece a vacina para o combate ao vírus Papiloma Humano (HPV). Com esquema vacinal de duas doses, a imunização está disponível para meninas e meninos no período de 9 a 14 anos. Para adultos, a vacina é particular.

A vacina ainda é oferecida para mulheres e homens que vivem com HIV, pessoas que fizeram transplantes de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.

A vacina é administrada três vezes: uma dose, a segunda depois de dois meses e a terceira após seis meses, independentemente da idade. “Uma das neoplasias ginecológicas mais incidentes é o câncer de colo de útero, e, como essa doença está relacionada ao vírus HPV, uma das formas de prevenção é a vacina, preferencialmente antes do início das atividades sexuais”.

Texto de Andressa Mota

Edição de Thais Rossi

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