O transtorno de personalidade histriônica é uma condição de saúde mental com incidência de mais de 150 mil casos por ano no Brasil. Ainda assim, muitas pessoas não o conhecem, podendo confundi-lo com o transtorno de personalidade narcisista e até mesmo com a personalidade borderline.
O psiquiatra José Luis de Oliveira explica que o termo histriônico deriva da neurose histérica, que, na CID-10, a décima Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi dividida entre a personalidade borderline e os transtornos conversivos e dissociativos.
O especialista explica que a pessoa com personalidade histriônica pode apresentar fala e comportamento dramáticos, procurar ser o centro das atenções, sentir-se mal quando não tem a atenção que deseja, apresentar comportamento impulsivo, preocupação excessiva com a aparência física e criar intimidade rapidamente.
“Há uma tendência à sugestionabilidade, tornando a pessoa facilmente influenciada pelos outros, além de ter tendência ao humor depressivo, comportamento provocante, sexualmente inapropriado ou mudanças rápidas de emoção, em razão da instabilidade emocional”.
Pode existir uma dúvida entre os conceitos de personalidade histriônica, borderline e narcisista. De Oliveira esclarece que todos são transtornos da personalidade do tipo B. “No borderline se predomina a instabilidade emocional, no narcisismo o egoísmo e egocentrismo, enquanto no histriônico prevalece um desejo insano de ser amado, desejado e valorizado pelo outro”.
Causas e tratamento
O especialista diz ainda não se sabe ao certo as causas do transtorno, mas o consenso aceito pela comunidade médica é de que há um importante papel da relação com o meio, o aprendizado, inabilidade emocional e herança genética.
O tratamento com maior evidência de eficácia para a condição é a psicoterapia, em especial a terapia cognitiva comportamental e a comportamental dialética.
Segundo José Luís, alguns medicamentos para controlar sintomas depressivos, ansiosos e instabilidade emocional podem ajudar em algumas situações. Isso porque a pessoa que tem o diagnóstico de personalidade histriônica tem um risco aumentado de apresentar outras doenças associadas a ela.
Características
A psiquiatra Maria Benedita Reis informa que o transtorno de personalidade histriônica ocorre em homens e mulheres, sendo mais prevalente, ou mais diagnosticado, em mulheres.
Além disso, é comum ocorrer em concomitância com outros transtornos de personalidade, principalmente os transtornos de personalidade antissocial, borderline e narcisista, bem como com transtornos de somatização, transtorno depressivo persistente, entre outros.
A especialista afirma que as pessoas que padecem desse transtorno costumam sofrer muito quando não conseguem ser o centro da atenção de uma determinada pessoa, ou determinada situação, costumam se apresentar de forma dramática, sedutora e excitante, sentem necessidade de impressionar as pessoas com sua aparência e pode se vestir ou se comportar de maneira inadequada.
“Costumam confiar em pessoas que pouco conhecem ou confundem as reações das pessoas com o apaixonamento. Podem se frustrar com facilidade e alguns chegam a trocar de amigos e de emprego, com frequência”, completa ela.
De acordo com Reis, tais pessoas costumam dar muita ênfase à aparência, vestindo-se ou agindo de forma sedutora ou provocativa, com a finalidade de chamar a atenção.
“Esse transtorno causa muito sofrimento, uma vez que as pessoas acometidas se sentem emocionalmente dependentes dos outros, o que pode levá-las a desenvolver atitudes de manipulação e até de chantagem emocional”, diz.
A psiquiatra pontua que esses comportamentos sedutores não se restringem apenas a interesses amorosos e podem levar a situações inadequadas no trabalho e em outras situações da vida cotidiana, trazendo problemas e sofrimento a essas pessoas.
Diagnóstico
A especialista explica que o diagnóstico desse transtorno é realizado por critérios clínicos. Em geral, a pessoa procura um médico psiquiatra ou um psicólogo pelo sofrimento vivenciado, que pode se caracterizar por:
- Sofrer quando não é o centro das atenções;
- Ser comunicada ou repreendida por portar-se de maneira dramática ou inadequada;
- Perceber-se ou ser avisada de que está agindo de forma inadequada em situações de paquera, com pessoas diversas;
- Dar-se conta ou ser avisada de que se preocupa de forma exagerada com a aparência, para impressionar as pessoas;
- Deixar-se influenciar exageradamente por pessoas ou situações;
- Colocar-se em situações de intimidade excessiva com pessoas que não são tão próximas ou íntimas;
- Expressar suas emoções de forma extravagante, com frequência.
Quando apresentar as alterações abaixo, é hora de procurar avaliação psiquiátrica para avaliar se pode haver um diagnóstico de transtorno de personalidade histriônica:
- Desconforto quando não é o centro das atenções;
- Comportamento sedutor ou provocativo;
- Emoções mutáveis e superficiais;
- Usar a aparência para chamar a atenção;
- Discurso impressionista e vago;
- Emoções dramáticas ou exageradas;
- Ser facilmente influenciado por outros;
- Considerar os relacionamentos mais íntimos do que são.









