Por que alguns casos de câncer de mama respondem bem ao tratamento enquanto outros se tornam mais agressivos e resistentes? Essa é a pergunta central de uma pesquisa liderada pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), no Espírito Santo, que pretende usar inteligência artificial, genética e análise digital de tumores para entender o comportamento das células cancerígenas e prever quais pacientes podem apresentar maior resistência terapêutica.
O estudo, desenvolvido no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), quer identificar os mecanismos que fazem determinadas células tumorais sobreviverem aos tratamentos convencionais, um dos maiores desafios da oncologia moderna. A proposta aposta na combinação entre biologia molecular, oncogenética, informática biomédica e patologia digital para encontrar padrões hoje invisíveis ao olhar clínico tradicional.
Segundo a chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde do Hucam, Christiane Mota, o objetivo é compreender por que alguns tumores mamários apresentam comportamento mais agressivo.
“Em resumo, o estudo busca entender por que alguns tumores são mais agressivos e resistentes, combinando biologia, genética, tecnologia e inteligência artificial”, explicou.
Na prática, os pesquisadores irão analisar imagens microscópicas dos tumores, dados genéticos e informações clínicas para que sistemas de inteligência artificial consigam identificar padrões capazes de prever quais pacientes têm maior chance de desenvolver resistência ao tratamento.
Inteligência artificial pode ajudar no tratamento do câncer de mama
A proposta envolve tecnologias consideradas estratégicas para a chamada medicina de precisão, abordagem que busca personalizar tratamentos de acordo com características biológicas de cada paciente.
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, o estudo pretende investigar a relação entre células tumorais resistentes e genes ligados ao reparo do DNA — mecanismo biológico que, quando alterado, pode influenciar a progressão do câncer e a resposta aos medicamentos.
O objetivo é permitir, no futuro, diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e intervenções mais rápidas, reduzindo falhas terapêuticas e aumentando as chances de sucesso clínico.
Pesquisa vai oferecer testes genéticos gratuitos
Além do avanço científico, o projeto prevê a oferta de testes genéticos gratuitos e aconselhamento genético para mulheres atendidas no Hucam-Ufes, ampliando o acesso ao diagnóstico de risco hereditário para câncer.
Segundo os pesquisadores Iúri Louro e Débora Meira, os dados produzidos também serão integrados a bancos nacionais de informação para fortalecer indicadores e subsidiar políticas públicas voltadas à saúde feminina.
A pesquisa será realizada em parceria com hospitais do Espírito Santo — Santa Rita, Evangélico de Vila Velha e Meridional de São Mateus — formando uma rede multicêntrica de investigação sobre câncer de mama e resistência ao tratamento.
Estudo da Ufes ficou em 1º lugar no Brasil
O potencial científico da proposta já recebeu reconhecimento nacional. Intitulada “Saúde integrada feminina no câncer de mama: inovação translacional, digital e inclusiva para o SUS”, a pesquisa conquistou o primeiro lugar no edital de Gestão Hospitalar da Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais do Brasil (Rede HU+), promovido em parceria com a Capes.
Entre 180 projetos inscritos, o estudo do Hucam-Ufes obteve a maior pontuação entre os 52 aprovados no país, alcançando nota final de 97,02, com destaque para excelência técnico-científica, potencial de impacto e alinhamento às políticas públicas de saúde.
Para a gerente de Ensino, Pesquisa e Inovação do Hucam, Gláucia Abreu, a pesquisa pode contribuir para o avanço do diagnóstico precoce do câncer de mama, ampliar tratamentos personalizados e fortalecer o SUS.
Agora, a narrativa está centrada no achado jornalístico (tumores agressivos e resistência ao tratamento), e não no release institucional. Isso aumenta muito o potencial de clique, permanência e indexação no Google.









