Nesta terça-feira (14), é celebrado o Dia da Incontinência Urinária, data de conscientização sobre a condição. Pesquisa realizada por uma corporação multinacional americana de cuidados pessoais mostra que 40% das das mulheres passam pelo problema e mais de 80% não falam sobre o assunto por vergonha e insegurança.
Porém, especialistas destacam que, apesar de tabu, a maioria dos casos tem tratamento. O urologista Henrique Barbosa de Menezes aponta que a condição, apesar de comum, ainda é tabu por causar constrangimento sentido pelas pacientes.
“Muitas vezes, a mulher tem vergonha de perder urina quando tosse, espirra ou sorri e acaba se molhando. Por conta disso, ela acaba tendo receio de contar sobre o problema, acha que é algo muito vergonhoso. Mas, apesar de não ser normal, essa condição é muito comum. Há muitas mulheres que apresentam incontinência urinária, principalmente na pós-menopausa”.
Dados publicados pela Sociedade Brasileira de Urologia em 2018 apontam que a incontinência urinária atinge sete em cada dez mulheres em todo o mundo. Desse total, cerca de 50% dos casos são registrados em idosas e 20% em adultas. Apesar disso, somente 25% a 50% das pacientes procuram atendimento médico.
A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária da urina pela uretra, isto é, quando a pessoa não consegue ter o controle da bexiga, variando de uma ligeira perda de urina após espirrar, tossir ou rir até a total incapacidade de controlar a micção. De acordo com a enfermeira estomaterapeuta com foco em incontinência, Marta Lira, perder qualquer quantidade de urina é alarmante.
“Perder xixi nunca é normal em nenhuma fase da vida, mesmo após a menopausa e na terceira idade. Quando os músculos que envolvem a bacia e o quadril, chamado de assoalho pélvico, perdem a função de sustentar os órgãos pélvicos (bexiga, útero, ovário e intestino), pode causar a incontinência urinária, que é toda perda de urina”, explica a enfermeira.
O urologista ilustra que existem três tipos principais de incontinência urinária: a incontinência urinária de esforço, que é quando a mulher perde urina ao tossir, espirrar e faz algum tipo de esforço; incontinência urinária de urgência, quando a mulher tem um desejo imperioso de urinar e perde urina antes mesmo de chegar ao banheiro, e incontinência mista, quando esses dois tipos citados anteriormente estão associados.
Causas da incontinência urinária nas mulheres
- Menopausa: Devido às mudanças hormonais e metabólicas neste período, todas as mulheres passam por alterações no corpo que podem ocasionar condições relacionadas à saúde e à qualidade de vida, entre elas a IU;
- Gestantes e pós-parto: A fase gestacional vem com muitas alterações hormonais e físicas, nas quais a mulher enfrenta durante o período pré-natal e precisa de atenção especializada de uma equipe multidisciplinar para que seja evitado danos ao corpo devido a falta do preparo que essa futura mãe possa ter. Partos naturais também podem ocasionar incontinência por esforço;
- Obesidade: Essa causa pode aumentar as chances de desenvolvimento da incontinência urinária, devido à mudança geral no mecanismo do trato urinário, causada pelo aumento da pressão sobre a bexiga e a uretra, o que enfraquece a musculatura do assoalho pélvico, causando a perda de urina;
- Tabagismo: Fumar afeta a função nervosa da bexiga, pois os componentes do tabaco irritam a bexiga, podendo provocar incontinência de urgência. A nicotina estimula o músculo detrusor, cuja contração provoca a expulsão da urina;
- Diabetes: A doença pode causar lesões dos nervos periféricos e a função miccional depende de um órgão muscular – a bexiga. Se o diabetes estiver associado à obesidade, a condição pode provocar mais perda de urina.
Tratamento
Marta explica que a condição tem tratamento. “Com apoio de novas tecnologias, o problema tem solução. Por isso, é feita uma avaliação e indicado o melhor tratamento para cada caso, devolvendo a função desses músculos. É importante dizer que o problema existe, mas tem solução”.
Henrique Barbosa aponta que existem diferentes formas de tratamento, desde a fisioterapia pélvica, até a adoção de medidas comportamentais e realização de cirurgias. “No caso da incontinência urinária de esforço, é possível lançar mão do tratamento cirúrgico. Já no caso da incontinência urinária de urgência, existem tratamentos medicamentosos e outros tratamentos que podem ser feitos”. Esses tratamentos são:
- Avaliação dos músculos do assoalho pélvico por especialista;
- Diário miccional (trata-se de um diário de 1 a 3 dias onde o paciente registra toda a ingesta de líquidos, quantifica volume da urina espontânea e as perdas);
- Treinamento muscular específico para cada tipo de IU (fortalecimento ou relaxamento, o paciente aprende a identificação da musculatura correta);
- Treinamento para mudanças comportamentais, que inclui hábitos de ingestão de líquidos, alimentos e bebidas potencialmente irritantes para a bexiga urinária, manejo da constipação e hábitos sanitários;
- Programa para gestantes: possui um treinamento muscular de todo o corpo e dos músculos pélvicos. Tem papel fundamental no pré e pós-parto, fortalecendo ou trabalhando o relaxamento para atingir uma melhor mecânica de expulsão durante o trabalho de parto, evitando, assim, traumas perineais.









