Muitas vezes é comum ouvirmos “tal pessoa é bipolar”, para se referir a um indivíduo que muda de ideia com facilidade, no entanto, o Transtorno Bipolar é um assunto sério e possui uma série de sintomas que vão além de meras oscilações comuns de humor.
Hoje, dia 30 de março, é o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A data faz um alerta sobre o estigma em torno da doença, bem como a banalização do termo bipolar.
De acordo com o psicólogo, André Zonta, a bipolaridade é uma condição de saúde mental que precisa de tratamento quando identificado. “O problema é sério e quem sofrem com a condição merece o devido respeito e apoio para desmitificar esse senso popular”, destacou.
Também conhecido como transtorno afetivo bipolar, ele é caracterizado principalmente por uma desregulação extrema do afeto ou estados de humor que oscilam entre o extremamente baixo (fase depressiva) ao extremamente alto (fase da mania).
Segundo o especialista, pessoas acometidas em um episódio maníaco tem humor eufórico, alta irritabilidade, impulsividade, tendem a se colocar em atividades de alto risco, redução drástica do período de sono adequado, delírios de grandiosidade, autoestima inflada, fuga de ideias e pensamento acelerado.
Já na fase depressiva, os sintomas mais comuns são baixa energia para atividades comuns do dia a dia, desesperança, isolamento social, alterações no apetite, dificuldade para dormir ou dormir demais, dificuldades de concentração, ideação suicida, desânimo, sensação de inutilidade, dentre outros.
“O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental séria e complexa, indo muito mais além das variações normais de humor que qualquer pessoa pode experimentar em sua vida no seu cotidiano”, ressaltou.
Em entrevista André explicou que a bipolaridade pode afetar qualquer pessoa, independente do gênero. De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge mais os jovens entre 15 e 25 anos de idade. No entanto, o especialista pontuou que estudos recentes têm revelado que pessoas de 45 a 55 anos também estão sendo diagnosticadas com o transtorno.
“Em 2019, segundo dados da OMS, eram 140 milhões de pessoas no mundo diagnosticadas com o transtorno bipolar”, frisou.
Como é feito o diagnóstico?

Segundo Zonta, o diagnóstico precisa ser bastante criterioso e pode ser feito tanto por um psicólogo quanto por um psiquiatra que são profissionais especialistas em saúde mental. Ele explicou que por se tratar de uma condição que não tem cura, é importante focar em uma análise precisa com as devidas confirmações baseadas nos critérios diagnósticos do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM 5).
“É interessante observar se sintomas são mais recorrentes há algum tempo, causando prejuízos significativos nas diversas áreas da vida da pessoa, especialmente os relatados na apresentação do transtorno”, frisou.
O diagnóstico preciso que confirme o transtorno é um grande desafio, já que facilmente ele poderá ser confundido com a depressão, principalmente quando o paciente busca por um especialista na fase depressiva.
Formas de tratamento

1. Psicoterapia com um psicólogo, preferencialmente das abordagens de Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) ou Terapia Comportamental Dialética (TCD) para aprender sobre o transtorno e saber como identificar seus sintomas, aprendendo maneiras de manejar os pensamentos, emoções e comportamentos do paciente.
2. Acompanhamento contínuo com psiquiatra para adesão medicamentosa para estabilizar o transtorno.
3. Atividade física: é importante ser uma atividade que faça sentido para a pessoa. Pode ser caminhada, andar de bicicleta, musculação, pilates, etc.
4. Rotinas em casa e lazer: com as rotinas a pessoa poderá se organizar e se planejar melhor, com pequenas tarefas. Quanto ao lazer, isso irá contribuir para a pessoa ter sensações de bem estar que irão ser benéficas proporcionando qualidade de vida.
5. Higiene do sono: o sono é importante para qualquer ser humano e, no caso da pessoa com o transtorno bipolar, devido a desregulação do sono, quanto mais houver regularidade e um sono de qualidade, melhor será.
6. Rede de apoio: amigos e/ou familiares. As pessoas com esse transtorno tendem a ser muito mal compreendidas, mas se tiverem pessoas dispostas a serem mais compreensivas quando a pessoa com transtorno estiver em uma crise e precisar de apoio, saber com quem contar para além do psicólogo e psiquiatra.










