Acidentes do Trabalho são a principal causa do afastamento de trabalhadores de suas atividades. As doenças desenvolvidas durante atividades laborais podem, e devem, ser evitadas com medidas simples no dia-a-dia. Somente em 2020, conforme dados do último Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho de 2021 do Ministério do Trabalho e Previdência, 1.905 trabalhadores capixabas foram afastados de suas atividades por doenças de trabalho. Em 2019, a quantidade foi de 1.044 e, em 2018, 957 trabalhadores foram afetados.
De acordo com a fisioterapeuta do trabalho Mariana Duarte, as dores mais incapacitantes, isto é, as que resultam no afastamento do trabalho, são dores na coluna lombar e dorsal. Geralmente essas dores aparecem por movimentos exagerados de flexão lombar que são feitos principalmente na indústria e na produção.
A especialista em ergonomia Débora Dengo, explica que a raiz da lombalgia, as dores na lombar, acontece principalmente em profissionais que carregam pesos. “A lombalgia afeta muito a população trabalhadora, principalmente em cargos que exigem o manuseio de pesos ou de pessoas, como em almoxarifados e hospitais, respectivamente, por exemplo. Essas dores ocorrem por alguns fatores, como: excesso do peso manuseado, alta repetição de levantamento de pesos, postura ruim ao manusear cargas e alturas de alcance muito baixas”.
Logo em seguida no ranking de dores mais incapacitantes, estão as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) que comprometem principalmente os membros superiores, como detalhado por Débora. “Essas dores são relacionadas ao uso intenso do computador, que podem estar localizadas nos ombros e pescoços devido à má postura e ao mobiliário não ergonômico; ou dores nos punhos relacionadas à alta repetitividade de digitação em cargos com funções administrativas”.
Mariana aponta a necessidade da conscientização da população trabalhista a respeito da sua postura e melhores movimentos a serem realizados durante a atividade laboral, tanto em caráter organizacional, quanto em físico e cognitivo. “O local de trabalho também deve ser adaptado às condições físicas do trabalhador. Deve haver trabalho conjunto na hora de elaborar um ambiente em que o funcionário consiga realizar a tarefa sem exaustão física e cognitiva, evitando repetições desnecessárias”.
“O cansaço cognitivo está diretamente atrelado ao trabalho repetitivo. A monotonia também é uma questão muito importante, pois hoje temos também muitos funcionários sendo afastados por conta de depressão”, detalha a fisioterapeuta.
Segundo Duarte, é imprescindível realizar atividade física tanto fora da empresa, quanto na empresa. “A ginástica laboral irá direcionar e fortalecer os músculos, dificultando lesões na atividade”.
Convívio com a dor
Margarida Daltio, que trabalha na área administrativa, segue a profissão há doze anos. “Desenvolvi quatro hérnias na cervical trabalhando com a postura errada em um local e com equipamentos inapropriados. Por exemplo, não tinha mousepad com aquele gelzinho de apoio para o pulso, não cabia meu cotovelo na mesa; às vezes trabalhava direto, não fazia hora de almoço, não fazia intervalo, mais de quatorze horas direto”.
Devido à idade e ao grau, Margarida não pode realizar a cirurgia, por isso precisava desenvolver formas de conviver com a doença no dia-a-dia. “O cotidiano com a doença é o seguinte: fico sem tencionar muito a região do pescoço para não doer a hérnia. Quando eu comecei a sentir dor procurei o médico, que indicou fisioterapia”.
Segundo Daltio, há vezes em que somente a fisioterapia não adianta para a dor e é preciso recorrer ao uso de remédios. “Faço cerca de dez sessões de fisioterapia duas vezes ao ano. Porém, tem vezes que é preciso aumentar a quantidade de sessões. Quando sinto muita dor e preciso tomar o relaxante muscular, evito os dias de semana, devido à sonolência que ela dá”.
Ela conclui: “Não atribuo a responsabilidade por essa doença somente à empresa. Eu mesma poderia ter tomado atitudes que hoje em dia tomo, como parar para almoçar, fazer as coisas no meu ritmo, cuidando do meu corpo”.









