Com a proximidade do Dia das Mães, é quase inevitável cair no clichê — e, dessa vez, eu me permito. A coluna de hoje é sobre ela: Dona Léa.
Aos 87 anos, minha mãe é daquelas figuras que não passam despercebidas. São 1,53m de personalidade forte, sinceridade afiada, fé inabalável e um coração generoso. Também carrega aquele traço que toda família reconhece: pode ser difícil às vezes, mas é impossível não amar. E, se tem uma coisa que define Dona Léa, é o amor pelos doces.
Quanto mais o tempo passa, mais “formiguinha” ela se torna. Na casa dela, nunca falta um agrado açucarado: um sorvete no freezer, um chocolate guardado, um biscoito à espera da visita ou um bolo pronto para acompanhar o café. Poderia passar linhas e linhas listando seus quitutes favoritos — dos delicados beijinhos de Orminda à clássica torta mesclada.
Mas existe um doce que atravessa qualquer cardápio, qualquer ocasião, qualquer restaurante.
Antes mesmo de escolher o prato principal, ela já dispara:
— Tem profiteroles?
E é aí que a memória afetiva encontra a história da gastronomia.
A versão mais difundida conta que o profiterole surgiu no século XVI, criado por um chef italiano a serviço da corte francesa, a pedido de Catarina de Médici. De lá para cá, a sobremesa atravessou séculos, ganhou releituras, perdeu a rigidez aristocrática — mas nunca abriu mão da elegância.
Hoje, está por toda parte: de churrascarias a docerias, passando por trattorias. Mudam os recheios, surgem variações com cremes, geleias e combinações ousadas. Mas a base permanece: a delicada massa pâte à choux, leve e sofisticada.
No Brasil, ganhou uma “prima popular”: a carolina. Apesar da semelhança, há diferenças claras. As carolinas costumam ser menores, mais secas, com recheios simples e até versões salgadas. Já o profiterole mantém seu perfil mais indulgente — recheado com cremes ou sorvete e coberto com uma calda de chocolate que escorre sem pressa.
É um doce que não pede licença. Ele chega. E talvez seja por isso que Dona Léa goste tanto: porque, assim como ela, o profiterole tem presença.
Receita da semana: Profiteroles
Ingredientes — Bombinhas
- 2 colheres (chá) de manteiga
- 1/4 de xícara (chá) de água
- 3 colheres (chá) de farinha de trigo
- 1 ovo
Recheio
- 200 ml de sorvete
Cobertura
- 50 g de chocolate meio amargo
- 2 colheres (chá) de creme de leite
Modo de preparo
Comece aquecendo o forno a 200°C.
Em uma panela, leve a água ao fogo e derreta a manteiga. Quando ferver, retire do fogo e adicione a farinha, mexendo bem — de preferência com colher de madeira. Volte ao fogo baixo e continue mexendo até a massa desgrudar da panela e formar uma bola. Reserve.
Bata levemente o ovo e incorpore à massa já morna, misturando até ficar homogênea. Coloque a massa em um saco plástico (ou saco de confeitar), faça um pequeno furo na ponta e modele pequenas bolas em uma assadeira, deixando espaço entre elas. Leve ao forno por cerca de 40 minutos, até dourarem.
Depois de frias, corte ao meio e recheie com sorvete.
Para a cobertura, derreta o chocolate em fogo baixo e misture o creme de leite até formar uma calda lisa. Despeje sobre as bombinhas recheadas e sirva.









