Pela primeira vez na história, o cooperativismo alcançou a marca de 1 milhão de cooperados no Espírito Santo. O dado foi revelado pelo Anuário do Cooperativismo Capixaba, lançado nesta quinta-feira (24/9), pelo Sistema OCB/ES. De acordo com a publicação, o estado encerrou o ano de 2025 com 1.081.334 pessoas integrando pelo menos uma das 112 cooperativas registradas.
O resultado consolida uma trajetória de expansão gradual desse indicador. Em comparação com 2024, quando o número de cooperados era de 967.729, o crescimento foi de 11,7%. Um recorte dos últimos cinco anos, entretanto, mostra que, em comparação com 2021, o aumento chegou a quase 77%.
Ainda de acordo com a publicação, essa elevação ocorreu em quase todos os ramos de atuação, em diferentes dimensões. O destaque ficou com o Ramo Crédito. Juntas, as cooperativas financeiras foram responsáveis por quase 90% do total registrado em 2025.
Historicamente, as cooperativas de crédito lideram esse indicador, apresentando a maior evolução nos últimos anos, com trajetória ascendente. Elas passaram de 539.388 cooperados em 2021 para 969.806 em 2025, um crescimento da ordem 80% no período de cinco anos.
De acordo com o presidente do Sistema OCB/ES, Dr. Pedro Scarpi Melhorim, os resultados mostram que o cooperativismo tem se fortalecido como opção para o capixaba. Para a liderança, a expansão contínua e sólida retrata a forma de atuação das cooperativas, cujo foco está nas pessoas.
“O que vemos, ano após ano, são os capixabas escolhendo o cooperativismo. E isso tem relação direta com a qualidade daquilo que as cooperativas entregam, com a transformação que elas promovem e com o jeito como elas se organizam, conectando competitividade com cuidado com as pessoas”, destaca.
Movimentação econômica
As cooperativas também contribuíram diretamente para o desenvolvimento do Espírito Santo. Juntas, elas tiveram uma movimentação econômica de R$ 20,8 bilhões, resultado 23% superior ao registrado em 2024, quando o faturamento ficou na casa de R$ 16,9 bilhões.
Parte significativa desse montante é proveniente das cooperativas agropecuárias, que tiveram um faturamento de R$ 6,5 bilhões, um dos maiores entre os sete ramos ativos no Espírito Santo, sendo responsáveis por 31% do total da movimentação econômica. Outro destaque é o Ramo Saúde, com um faturamento de R$ 3,7 bilhões (17,9%).
O total movimentado pelo cooperativismo é equivalente a 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nominal do Espírito Santo. A análise da contribuição do modelo de negócio cooperativista na economia do Espírito Santo mostra que, considerando a participação direta das atividades cooperativistas nos resultados econômicos do estado, os efeitos indiretos e os impactos induzidos gerados por essas atividades em outros setores, o impacto no PIB capixaba chega a 12,8%.
Geração de oportunidades
O número de colaboradores (celetistas, aprendizes, estagiários e terceirizados) atuando nas cooperativas do estado também teve evolução. Em 2024, eram 12.094 profissionais; em 2025, passou para 14.146, um crescimento de 17%. O Ramo Saúde desponta nesse quesito, com 6.274 colaboradores (44% do total).
A quantidade de profissionais celetistas no ano foi de 12.192, 3,4% maior que o registrado em 2024 (11.772). Essa variação positiva superou o aumento de geração do Espírito Santo (1,5%) e do Brasil (2,8%) no mesmo ano, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Envolvimento com o cooperativismo
Em 2025, também houve aumento no número de pessoas no Espírito Santo envolvidas diretamente ou indiretamente com o cooperativismo. Atualmente, quase 2,5 milhões de capixabas estão conectados com o modelo de negócio no estado, o equivalente a 60% da população local.
O dado é obtido considerando a soma do total de colaboradores das cooperativas capixabas com o total de cooperados pessoas físicas (PF) e, depois, multiplicando pelo valor de 2,67, que é a média estimada de indivíduos por família no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, o impacto é ainda maior se forem considerados os consumidores dos produtos e serviços provenientes do cooperativismo. Segundo ele, isso ocorre pela diversidade de setores em que o modelo de negócio se encontra e pelo resultado concreto que ele produz.
“O movimento cooperativista está presente no dia a dia das pessoas. Do café da manhã aos serviços de saúde e financeiros, no transporte, na educação e em muitas outras áreas, as cooperativas estão ali, entregando valor e qualidade. Por isso, acreditamos que essa relação entre o movimento cooperativista e a população do nosso estado é bem mais ampla”, destaca.
Outros indicadores
O ano de 2025 foi encerrado com elevações em diversos outros indicadores do cooperativismo capixaba em comparação ao ano anterior. O patrimônio líquido chegou a R$ 9,3 bilhões, um aumento de 23%. Os ativos totais também subiram, registrando crescimento de 62% e ficando em R$ 84,3 bilhões. O pagamento de impostos e taxas também teve uma variação positiva, de 13,5%, somando R$ 839,8 milhões. E as sobras à disposição da Assembleia Geral Ordinária (AGO) encerraram o ano com um total de 627,7 milhões, expansão de 25,5%.








