A seca já se espalhou por todo o Espírito Santo, e os principais rios do Estado apresentam vazão abaixo da média histórica. O cenário faz parte do primeiro Boletim de Monitoramento dos Impactos do El Niño, divulgado nesta terça-feira (21) pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, que alerta para o agravamento das condições climáticas nos próximos meses.
Segundo o levantamento, todo o território capixaba está sob condição de seca fraca, situação que já afeta a umidade do solo, as pastagens e algumas atividades agrícolas. Nas regiões Central e Sul, o cenário é ainda mais preocupante, com áreas classificadas em condição de seca moderada, reflexo da redução das chuvas nos últimos meses.
“Embora a severidade observada ainda seja considerada baixa, a expansão da seca para todo o Estado representa um importante sinal de alerta. Esse cenário, aliado às projeções de fortalecimento do fenômeno El Niño e à previsão de temperaturas acima da média para os próximos meses, reforça a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e ambientais”, destaca o boletim.
Outro sinal de alerta é a redução da vazão dos rios. Dados da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) mostram que todas as estações de monitoramento registraram níveis abaixo da média nos últimos 30 dias. As bacias dos rios Doce, Jucu, Santa Maria da Vitória, Itabapoana e Benevente estão em estado de alerta. O rio Benevente, inclusive, já opera próximo do limite para restrição no uso da água.
Apesar desse cenário, o abastecimento para a população segue mantido. Dos 103 pontos de captação monitorados pela Cesan, 20 estão em estado de atenção, enquanto a maior parte continua operando normalmente.
Tendência para os próximos meses
O boletim também aponta que o fenômeno El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre no Espírito Santo. A expectativa é de temperaturas acima da média, avanço da seca e aumento do risco de incêndios em vegetação, principalmente entre a segunda quinzena de agosto e os meses de setembro e outubro. Há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre outubro e dezembro.

Risco de queimadas preocupa
O boletim também aponta aumento no número de focos de calor no Estado. Em junho, foram registrados cerca de 70 focos, número acima da média histórica. Em julho, mesmo antes do fim do mês, mais de 50 focos já haviam sido contabilizados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Considerando todos os satélites utilizados no monitoramento, entre os dias 13 e 19 de julho foram identificados 197 focos de calor no Espírito Santo. A maior concentração ocorreu na região Sul. Alegre liderou o ranking, com 57 registros, seguido por Linhares (13), Aracruz (11), Iúna (10) e Cachoeiro de Itapemirim (10).

Historicamente, agosto, setembro e outubro concentram o maior número de incêndios em vegetação no Estado. Com o fortalecimento do El Niño, a expectativa é de que esse risco aumente ainda mais nos próximos meses.
Diante desse cenário, o Governo do Estado informou que vem reforçando as ações de prevenção. Entre as medidas estão a entrega de caminhões-pipa aos municípios, obras de infraestrutura hídrica, apoio aos produtores rurais e o monitoramento contínuo das condições climáticas, dos rios e dos focos de incêndio.










