Um dos pontos mais relevantes do levantamento do Instituto Perfil, divulgado pelo ES Hoje no último dia 17 de abril, é o tamanho do eleitorado que ainda não sabe em quem votar.
No cenário espontâneo, na disputa para o governo, os números são expressivos:
* 19,67% se declaram indecisos
* 33,94% não souberam ou não responderam
Ou seja, mais da metade do eleitorado ainda não tem uma posição clara.
É um dado que, por si só, impede qualquer leitura definitiva da disputa neste momento.
Decisão tardia I
Outro dado que ajuda a entender esse cenário é o comportamento do eleitor. Mais da metade dos entrevistados (51,22%) afirma que decide o voto nos últimos dez dias da eleição.
Decisão tardia II
Isso reforça um ponto essencial: campanha não se ganha agora, mas no detalhe final. Estratégias, erros e acertos na reta decisiva podem redefinir completamente o quadro.
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Liderança, porém…
Os números mostram vantagem do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), especialmente no cenário estimulado. Ainda assim, a distância para o governador Ricardo Ferraço (MDB), que busca a reeleição, não permite cravar tendência consolidada. Com tanto eleitor indeciso e decisão tardia, a eleição segue aberta e altamente competitiva.
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Ampliação de base I
Um ponto que precisa entrar no radar dos favoritos é o segundo turno. Caso a disputa se confirme entre Pazolini e Ferraço, nenhum dos dois poderá depender apenas do próprio eleitorado.
Ampliação de base II
Será necessário dialogar com eleitores de outros polos, como: Magno Malta (PL) e Helder Salomão (PT). Isso não significa, necessariamente, apoio formal. Mas, em um cenário fragmentado, cada voto conta, e desperdiçar nichos pode custar caro.
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Voto não é automático I
Um erro comum em análises é presumir transferência direta de votos. O ex-governador Renato Casagrande (PSB) lidera, de longe, as intenções para o Senado. Mas isso ainda não faz seu sucessor, Ricardo, favorito.
Voto não é automático II
Na prática, o eleitor pode migrar, se abster ou até anular. Por isso, a capacidade de diálogo será mais importante que alianças formais. Quem conseguir reduzir rejeição e ampliar aceitação tende a sair na frente na fase decisiva.
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Mulheres I
Outro dado estrutural que não pode ser ignorado: as mulheres são maioria no eleitorado. Na pesquisa, elas representam 52,89% dos entrevistados.
Mulheres II
Isso exige campanhas mais direcionadas, com pautas e linguagem que dialoguem com esse público, não apenas no discurso, mas na prática.
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Peso do eleitor evangélico I
O levantamento também mostra um eleitorado com forte presença religiosa: 29,89% são evangélicos e, 47,78%, católicos. No Espírito Santo, onde a presença evangélica é significativa, compreender esse segmento pode ser decisivo.
Peso do eleitor evangélico II
Mais do que acenos pontuais, será preciso consistência de posicionamento e identificação.
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Ajustes finos
O cenário desenhado pela pesquisa aponta menos para uma disputa definida e mais para uma eleição em construção. Há liderança, sim. Mas há, sobretudo, indecisão elevada, decisão tardia e múltiplos polos ativos.
Traduzindo: não é uma eleição para erros.
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