Eleito senador da República, o ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) segue com postura de governador ad hoc. Em alguns momentos, demonstra estar até mais animado que seu sucessor, Ricardo Ferraço (MDB), ao comentar os resultados do Executivo estadual.
Nos últimos dias, o socialista manteve o comportamento de quando estava à frente do Palácio Anchieta. Comentou sobre a continuidade da queda no número de homicídios, o fim da cobrança de pedágio na Rodovia do Sol e a realização de uma exposição no Cais das Artes, fazendo questão de lembrar que foi durante sua gestão que a obra ficou pronta. Também se reuniu com a bancada do PSB que ocupará cadeiras na Assembleia Legislativa a partir do próximo ano.
Essa movimentação não parece ser por acaso. A derrota de Ricardo Ferraço nas eleições foi sentida pelo grupo político de Casagrande, que trabalhava com a expectativa de um desempenho mais expressivo nas urnas, inclusive com a possibilidade de ampliar sua representação na Câmara dos Deputados.
O resultado, porém, mostrou que as entregas da gestão não foram suficientes para garantir aos aliados o mesmo desempenho eleitoral do ex-governador. Diante desse cenário, Casagrande, como principal liderança do grupo, parece disposto a assumir pessoalmente a defesa de seu legado, mantendo em evidência as realizações dos últimos anos e buscando preservar o capital político construído ao longo de sua trajetória.
Há também uma questão de espaço político. Com oito anos de mandato no Senado pela frente, o socialista já dá sinais de que pretende exercer protagonismo no Congresso Nacional, inclusive entre os integrantes da bancada federal capixaba. Ao mesmo tempo, sua presença no debate estadual ajuda a manter o PSB em evidência após a derrota na disputa pelo Palácio Anchieta.
E esse movimento, querendo ou não, tem reflexos sobre o próximo jogo eleitoral, em 2030. Afinal, a saída do governo não significa necessariamente o encerramento de um projeto político, sobretudo quando seu principal representante continua disposto a participar das discussões sobre os rumos do Estado.
Casagrande completa 66 anos no próximo dia 3 de dezembro. Muito se comentou, durante a campanha, que esta poderia ter sido sua última eleição. Mas, a julgar pela disposição demonstrada desde o resultado das urnas, talvez essa possibilidade ainda esteja distante.
A referência aos oito anos de mandato no Senado não foi feita por acaso. Parafraseando Dom Pedro I, se for pelo bem geral de um determinado grupo político, não seria surpresa ver Casagrande, em 2030, buscando novamente o comando do Espírito Santo.
Até lá, muita coisa pode acontecer. Mas uma questão já começa a se desenhar: mesmo fora do Palácio Anchieta, Casagrande não parece disposto a deixar que a derrota de seu sucessor determine o tamanho de seu legado ou os próximos passos de sua trajetória política.










