O encerramento das urnas no primeiro turno desenhou no Espírito Santo um cenário de realinhamento estratégico e pragmatismo partidário, espelhando e, ao mesmo tempo, tensionando as movimentações nacionais. O segundo turno entre Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o atual governador Ricardo Ferraço (MDB) abriu uma corrida direta pelas forças políticas que permaneceram divididas no primeiro momento da disputa. No plano federal, a decisão da federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) de formalizar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cria um reflexo natural nas articulações capixabas.
Como Flávio Bolsonaro já declarou apoio a Pazolini e o PL integra a coligação do candidato do Republicanos, a tendência de alinhamento nacional coloca em pauta a migração formal da federação no estado — ainda que essa aliança contemple oficialmente a vice na chapa de Ferraço, ocupada por Camillo Neves.
Números do primeiro turno
O resultado das urnas estabeleceu um ponto de partida marcado por margens competitivas e pela necessidade de expansão de bases para ambas as candidaturas:
Lorenzo Pazolini (Republicanos): 49,65% dos votos válidos (1.048.633 votos).
Ricardo Ferraço (MDB): 34,06% dos votos válidos (719.397 votos).
No cenário nacional, o segundo turno para a Presidência da República contrapõe Flávio Bolsonaro (PL), que somou 56,1 milhões de votos (47,03%), e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, com 53,8 milhões de votos (45,1%).

O nó da federação e o fator Evair de Melo
A eventual adesão da União Progressista à campanha de Pazolini expõe o descolamento pragmático observado ainda na primeira etapa da eleição. Apesar do compromisso formal com a candidatura de Ferraço, lideranças regionais do Progressistas e do União Brasil mantiveram movimentos autônomos durante a campanha do primeiro turno.
Nesse ecossistema, a figura do senador eleito Evair de Melo (Republicanos) atua como ponto focal de interlocução. Eleito com o apoio direto de Da Vitória (presidente estadual do PP e deputado federal reeleito) e de Marcelo Santos (presidente estadual do União Brasil e deputado federal eleito), Evair assume papel estratégico de ponte entre a federação e a chapa do Republicanos.
Paralelamente, a articulação envolve o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, que esteve aliado a Evair na disputa ao Senado. A decisão formal da federação e de seus quadros, contudo, passa pelo diálogo com as bancadas com mandato — prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais —, cujas bases locais nem sempre acompanham os direcionamentos nacionais de forma automática.
Reorganização das forças locais
Caso a federação União Brasil-PP confirme o apoio a Pazolini para acompanhar a diretriz nacional, a adesão seguirá o movimento já consolidado pelo PSD de Renzo Vasconcellos. O realinhamento do PSD local alinha-se à sinalização do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — quinto colocado na corrida presencial com 2,6 milhões de votos —, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro no cenário nacional.
Para o eleitorado capixaba, o segundo turno impõe a análise do peso das alianças partidárias frente às composições regionais. De um lado, Pazolini busca transformar a liderança do primeiro turno e o apoio do bolsonarismo nacional em consolidação nas urnas; de outro, Ferraço busca a manutenção de seu grupo político, testando a força da máquina estadual e a capacidade de retenção de alianças históricas diante do avanço das forças de oposição.










