O vitimismo de Sergio Meneguelli, candidato que corre solto na campanha

O deputado estadual e candidato ao Senado Sergio Meneguelli (PSD) protagonizou, nesta terça-feira (15), mais uma situação em que recorreu a um discurso que já começa a se tornar frequente: o de quem está sempre em desvantagem.

A disputa para o Senado no Espírito Santo – eleição em que os capixabas elegerão 2 nomes – conta com 11 concorrentes, sendo o ex-governador Renato Casagrande (PSB) franco favorito para conquistar uma das vagas, tendo 5 nomes com mais chances para a segunda. Dentre eles, inclusive, está Meneguelli – os outros apontados pelo mercado político são Evair de Melo (Republicanos), Contarato (PT), Rose de Freitas (MDB) e Maguinha (PL). A contrário do habitual na disputa ao governo, onde a campanha conta com trocas de acusações, a do Senado Federal é mais cada um defendendo como é vantajoso tê-lo na Câmara Alta. A estretégia de Sérgio Meneguelli é o discurso populista, a mão na terra, o vitimismo.

“Desvantagem que levo na campanha”

Nesta terça Meneguelli chegou atrasado à Rede Gazeta para participar de uma sabatina e, por conta das regras estabelecidas previamente, não pôde ser entrevistado. Até aí, fato consumado.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar reconheceu que havia normas a serem cumpridas. Disse que saiu cedo de Colatina, relatou os percalços encontrados pelo caminho e pediu desculpas à população. Poderia ter parado por aí.

Mas não parou.

Meneguelli afirmou que aceitaria abrir mão do tempo correspondente ao atraso para participar da sabatina e dar explicações sobre o ocorrido. Aproveitou, então, para falar dos problemas da BR-259 e cobrar providências da bancada federal capixaba. Na sequência, veio o discurso de que não foge de debate, mas que a Rede Gazeta não quis abrir uma exceção para ele. E ampliou o argumento:

“É mais uma desvantagem que levo nessa campanha. Não tenho o tempo que os outros têm. Não tenho fundo partidário, nem quero ter o que os outros têm”.

O ponto central, porém, é simples: existem regras a serem seguidas. Não se trata aqui de corporativismo em defesa da imprensa, mas de uma constatação. Em uma disputa eleitoral, critérios previamente estabelecidos para entrevistas e sabatinas precisam valer igualmente para todos os candidatos. Se a exceção é aberta para um, qual seria o argumento para negá-la ao próximo?

É como pagar uma conta depois do vencimento: pode haver uma ótima justificativa para o atraso, mas a multa virá.

Meneguelli já teve razões concretas para reclamar dos arranjos políticos. Em 2022, pretendia disputar o Senado pelo Republicanos, mas acabou direcionado para a eleição à Assembleia Legislativa. Fez do limão uma limonada: conquistou 138.523 votos e tornou-se o deputado estadual mais votado daquele pleito no Espírito Santo.

Ainda assim, o episódio permaneceu incorporado ao discurso do político prejudicado pelas circunstâncias.

O caminho da candidatura

Nos arranjos deste ano, Meneguelli novamente se viu numa corda bamba até garantir espaço para concorrer ao Senado. Durante o processo, soltou poucas e boas e voltou a assumir o papel daquele que precisa enfrentar não apenas os adversários, mas também estruturas e circunstâncias que supostamente jogariam contra ele.

É aí que surge um risco para o personagem político construído por Meneguelli.

O deputado começa a flertar com uma espécie de fábula quixotesca. Existem adversários poderosos e obstáculos reais na política? Evidentemente. Mas, na realidade apresentada por Meneguelli, quantos são gigantes e quantos são apenas moinhos de vento?

A coragem para defender ideias e enfrentar estruturas é parte legítima da política. Mas a atividade pública também exige reconhecer responsabilidades, inclusive quando algo simplesmente dá errado.

Como candidato que procura se apresentar distante da política tradicional, Meneguelli precisa estar um passo à frente justamente das práticas que diz combater. A narrativa permanente de que está em desvantagem ou sendo prejudicado pode mobilizar apoiadores, mas também transfere reiteradamente para terceiros a explicação pelos obstáculos encontrados pelo caminho.

E há uma questão maior nisso tudo.

Meneguelli disputa uma cadeira no Senado Federal. Se eleito, encontrará um ambiente em que regras, acordos, articulações, derrotas e frustrações fazem parte do jogo todos os dias. Nem sempre haverá exceção. Nem sempre haverá espaço. Nem sempre sua vontade prevalecerá.

Nesse cenário, culpar os moinhos de vento pode até funcionar como narrativa.

Mas não necessariamente fará os gigantes desaparecerem.

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Comentários
  1. Sergio Meneguelli melhor politico capixaba,como deputado estadual nao tem corolla blindado alugado para os deputados anda de bicicleta,nao recebe 1800 de vale refeiçao,nao usa dinheiro eleitoral na campanha o papel e preto e branco,merece ficar em primeiro lugar,eu voto nele.

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