Eleito deputado estadual pelo Espírito Santo com 38.286 votos, o equivalente a 1,78% dos votos válidos, Darcio Bracarense (PL) aponta a saúde regional, a segurança pública e o desenvolvimento econômico como prioridades para o estado. Em entrevista ao ES Hoje, o vereador de Vitória também defendeu o combate à corrupção e afirmou que terá uma postura independente na Assembleia Legislativa.
Bracarense tomará posse em 1º de fevereiro de 2027, junto com os demais deputados estaduais eleitos em 2026, para um mandato de quatro anos. Ao falar sobre os desafios do Espírito Santo, ele destacou dificuldades no atendimento de saúde no interior, o avanço do crime organizado e problemas de infraestrutura que afetam a produção.
Na área da saúde, o deputado eleito afirmou ter identificado dificuldades de acesso a exames e atendimentos em municípios do interior. Segundo ele, moradores de regiões como Caparaó, sul e noroeste precisam, em alguns casos, se deslocar para centros maiores, como a Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim ou São Mateus.
Bracarense disse considerar preocupante que pacientes precisem esperar por procedimentos que classificou como simples ou recorrer a favores políticos para conseguir atendimento. Ele levantou a hipótese de que a carência possa ser mantida para gerar dependência política, mas afirmou que não deseja acreditar que isso ocorra e que denunciaria a situação caso fosse confirmada.
Para ele, ampliar o atendimento regional ajudaria a reduzir os deslocamentos de pacientes e a pressão sobre os serviços de saúde das regiões mais populosas.
Na segurança pública, Bracarense comparou os índices de homicídios do Espírito Santo aos do Rio de Janeiro e afirmou que ambos estariam em torno de 22 mortes por 100 mil habitantes. Ele também declarou que faltam medidas claras para enfrentar as organizações criminosas e apontou a expansão do tráfico de drogas no interior.
O deputado eleito defendeu que organizações criminosas sejam classificadas como terroristas e afirmou que pretende fiscalizar o cumprimento das leis orgânicas das polícias Militar e Civil. Também citou a necessidade de valorizar os profissionais, melhorar os equipamentos e ampliar o uso da inteligência policial.
Como exemplo das dificuldades, Bracarense afirmou que a Polícia Científica do Espírito Santo está entre as que pagam os piores salários do país.
No desenvolvimento econômico, ele incluiu o combate à corrupção e defendeu o fortalecimento da Secretaria de Controle, com valorização dos servidores e atuação efetiva. Também citou as condições de estradas na região sul, que, segundo ele, dificultam o escoamento da produção.
Para Bracarense, o Espírito Santo tem potencial para funcionar como eixo de exportação, mas precisa melhorar a infraestrutura e planejar os efeitos da reforma tributária sobre a economia estadual. Ele afirmou não identificar, nos projetos de governo, uma solução para os impactos que prevê e declarou apoiar a proposta de Flávio Bolsonaro de suspender a reforma por um ano para ampliar a discussão.
O deputado eleito também defendeu a atração de investimentos internacionais, com foco em tecnologia, ciência e terras raras. Segundo ele, o estado precisa preparar os jovens para essas áreas e ampliar a geração de empregos e renda.
Independência na Assembleia
Ao tratar de sua atuação parlamentar, Bracarense afirmou que pretende manter independência em relação ao governo estadual, independentemente de quem vença o segundo turno. Segundo ele, o papel do Legislativo é fiscalizar o Executivo sem impedir medidas consideradas importantes para a população.
Como exemplo de sua atuação na Câmara de Vitória, disse ter apoiado propostas relacionadas a orçamento, desenvolvimento e educação, mas se posicionado contra medidas que classificou como assistencialistas e progressistas.
Entre os casos citados estão a presença de organizações não governamentais que chamou de “ONGs de esquerda” nas escolas municipais e a contratação do ambientalista Carlos Nobre. Bracarense afirmou ter se oposto às duas iniciativas por discordar das posições políticas que atribui aos envolvidos e das possíveis consequências para o desenvolvimento econômico.
O deputado eleito disse que continuará defendendo valores conservadores, incluindo a religiosidade, a proteção das crianças, a família e a propriedade. Segundo ele, esses princípios são inegociáveis e orientarão sua atuação na Assembleia Legislativa.










