Da Vitória detalha escolha de Camillo após “desencontros” do grupo de Ricardo Ferraço

Anunciada na manhã de 4 de agosto, a definição do candidato a vice na chapa encabeçada por Ricardo Ferraço (MDB) encerrou um período de tensão e intensas articulações na política do Espírito Santo. O deputado federal Da Vitória, liderança da federação União Progressista (PP/União Brasil), detalhou como o grupo superou o risco de perda da vaga na coligação e chegou ao nome de Camillo Neves, vereador de Vitória em primeiro mandato que obteve 2.778 votos no pleito de 2024.

A articulação ocorreu após momentos de atrito interno, nos quais Da Vitória e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, chegaram a se reunir com Erick Musso, presidente estadual do Republicanos — partido que abriga a principal oposição ao projeto do governo estadual.

Articulações e diálogo com o Republicanos marcaram bastidores

Antes do consenso, a disputa pela indicação do vice de Ricardo Ferraço testou os limites da aliança governista no Estado. Da Vitória avaliou como legítima a pretensão dos partidos aliados de buscarem espaço na chapa majoritária, mas ressaltou que a cautela das lideranças foi decisiva para conter o desgaste político.

“É natural, é legítimo que cada partido pudesse querer fazer indicação e participar. Acho que o silêncio da federação, acho que o silêncio dos presidentes, ajudou muito nessa posição e nessa conclusão. Chegamos aqui ao final desse tempo, em conclusão das nossas coligações e das nossas progressões, bem seguros do que nós decidimos”, afirmou o parlamentar.

Segundo o deputado, o alinhamento dos pré-candidatos a deputados federais e estaduais da federação conferiu respaldo à condução do processo:

“O que melhor aconteceu nesse tempo, em todos os encontros de todas as pessoas, foi a unidade da federação e o credenciamento à minha pessoa por todos os membros para que onde a gente apontasse todos estariam inclinados nesse mesmo movimento. Isso mostrou muita segurança e ninguém tinha dúvida de que a gente estaria seguindo aonde tivesse o respeito.”

Perfil jovem e apelo eleitoral do vereador de Vitória

A escolha do vereador Camillo Neves é defendida pela federação como uma aposta na renovação dos quadros políticos capixabas, além de um gesto de valorização às câmaras municipais do Espírito Santo. Apesar da votação concentrada em 2024, Da Vitória sustenta que o desempenho das urnas não reflete sozinho a capacidade de articulação e o potencial de crescimento do nome indicado.

“Nós participamos com o Camillo pela sua coerência, pela sua juventude, pelo seu equilíbrio, mas pela sua maturidade e pelo belo quadro que ele vai ser apresentado. As pessoas vão saber a importância que é ter um jovem que vai se comunicar com um grande público e que eu acredito que vai dar uma grande adesão à chapa ao candidato ao governador Ricardo Ferraço. Tendo em vista que também é uma homenagem que ele faz a todos os vereadores do Espírito Santo.”

Ao analisar a ascensão do parlamentar municipal nos últimos dois anos, a liderança progressista pontuou: “Em pouco tempo, com menos de dois anos, o Camillo se agigantou. Votos são muito importantes, mas não credenciam o tamanho de uma liderança só visivelmente, porque nem todos conquistam os votos pela adesão. O Camillo chegou aos votos das lideranças que o conquistaram, mas hoje ele está um gigante. E vai se tornar muito maior, porque quanto mais é apresentado, mais tem adesão das pessoas. Ele é uma liderança nata, tem o nosso respeito, a nossa confiança e a expectativa de que será um quadro que vai fazer toda a diferença na política do Espírito Santo.”

Projeção da federação e a sucessão de 2030 no Espírito Santo

A definição do vice na chapa governista também foi desenhada sob a ótica dos ciclos eleitorais de longo prazo. Diante das regras constitucionais sobre reeleição e limites de mandato para o Executivo estadual, a federação União Progressista projeta consolidar seu peso político nas próximas disputas no Espírito Santo.

“Uma coisa é certa: a União Progressista estará maior ainda em 2030. A nossa federação estará nessa construção de um equilíbrio e de uma nova sucessão. Porque a Constituição não permite uma outra eleição para o Ricardo Ferraço. Independente da permanência dele ou se ele quiser participar de um processo eleitoral, nós teremos a certeza que vamos fazer essa mesma unidade de pensamento. Acredito que muito maior, para que a gente possa ter uma eleição mais segura, com mais equilíbrio e, naturalmente, um governo muito melhor”, concluiu Da Vitória.

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