A costura política para as Eleições 2026 no Espírito Santo ganhou o seu capítulo mais explosivo na manhã desta segunda-feira (13). Em entrevista concedida ao radialista Alexandre Pittoli, no canal conservador Auriverde — agenda articulada a pedido direto do senador Magno Malta (PL) —, o ex-prefeito de Vitória e pré-candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini (Republicanos), cumpriu o roteiro de exigências do Partido Liberal: subiu o tom ideológico, criticou duramente as condenações do 8 de janeiro e chancelou publicamente as pré-candidaturas de Maguinha Malta para o Senado e de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.
O movimento marca uma guinada pragmática no perfil de Pazolini que, ao longo de seus mandatos na capital capixaba, priorizou uma postura administrativa e focada em entregas municipais. No formato “eu levanto, você corta”, a sabatina expôs publicamente os termos do acordo de bastidores necessários para selar a aliança do PL com o Republicanos em solo capixaba.
Parceria histórica entre Lorenzo Pazolini e Magno Malta
Logo na abertura do diálogo, Pazolini fez questão de legitimar sua relação histórica com Magno Malta, relembrando a época em que atuava como delegado titular da Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e o senador presidia a CPI da Pedofilia. O pré-candidato ao Palácio Anchieta justificou a união das siglas como um passo essencial para erguer o “primeiro governo de direita da história do Espírito Santo”, focado em um modelo liberal e voltado ao empreendedorismo.
“Nós temos construído, dialogado, junto com o senador Magno Malta, com a Maguinha, exatamente com o objetivo de trazer políticas públicas (…) e principalmente os nossos valores, os nossos conceitos, os nossos princípios”, declarou Pazolini.
Racha no Republicanos: apoio a Flávio Bolsonaro para presidente
Questionado sobre as aparentes divergências na cúpula do partido — já que o presidente estadual Erick Musso prega a unidade da direita no ES, enquanto o dirigente nacional, Marcos Pereira, acena com “neutralidade” em Brasília —, Pazolini foi taxativo ao blindar a ala capixaba das diretrizes nacionais.
O ex-prefeito garantiu que o posicionamento dos republicanos locais está consolidado em torno do bloco bolsonarista e mirou a corrida pela Presidência da República:
“Em relação ao Espírito Santo, nosso posicionamento é claro. Os republicanos aqui, o presidente Erick Musso, nós já temos o nosso sentimento, o nosso posicionamento de continuarmos na posição que nós sempre tivemos: Ou seja, nós temos o candidato ao presidente da República bem estabelecido, bem fincado, Flávio Bolsonaro. Isso já é bem focado, estabilizado, e nós temos trabalhado junto ao Republicanos Nacional exatamente por essa convergência da direita.”
Pazolini critica condenações do 8 de janeiro: “Absolutamente desproporcional”
O ponto de maior audiência e repercussão da entrevista ocorreu quando Pazolini, jurista de formação, abordou as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro em Brasília — tema sobre o qual jamais havia se manifestado de forma tão contundente durante seus mandatos. O ex-prefeito classificou as condenações como uma afronta à liberdade e argumentou que houve desrespeito ao devido processo legal e às competências estabelecidas constitucionalmente.
“Tem coisas que nós não aceitamos, por exemplo, essa questão, essas penas, como foram estabelecidas em relação ao 8 de janeiro, são coisas que, de fato, aviltam o nosso direito à liberdade, trazem um sentimento de profunda tristeza e revolta para nós, brasileiros, porque nós sabemos que é preciso respeitar o devido processo legal, é preciso ser julgado perante o foro competente, ou seja, o foro adequado. Tudo isso teria que ter sido observado”, disparou o pré-candidato.
Pazolini comparou as sentenças dos manifestantes com as de crimes contra a vida para ilustrar o seu descontentamento:
“Às vezes você está vendo aí, muita gente do 8 de janeiro, hoje, tem pena superior, por exemplo, a pessoas que foram condenadas no júri popular, no tribunal do júri, por homicídio qualificado. Isso é absolutamente desproporcional (…) e traz um sentimento de grande injustiça, porque você tem pessoas que tiraram a vida de outros, que estão recebendo penas inferiores do que essas pessoas que estiveram supostamente envolvidas no episódio de 8 de janeiro.”
A importância de Maguinha Malta para um “Senado forte”
Dando sequência à costura jurídica e política, o republicano amarrou o discurso sobre o equilíbrio entre os Poderes da República com a necessidade de eleger a filha de Magno Malta. Para Pazolini, o sentimento de “perseguição e exasperação” que vigora no país exige um Legislativo Federal sem omissões.
“Esse foco é a linha da nossa formação. (…) Isso tudo demonstra que o país precisa ser passado a limpo, que precisa existir um sistema de freio, de contrapeso. Nós precisamos de um Senado forte, por isso a importância da pré-candidatura da senadora Maguinha, ou seja, para que, de fato, o sistema possa funcionar e para que não tenha sobreposição de um poder sobre o outro.”
O ex-prefeito concluiu afirmando que sua entrada na política se deu justamente para combater injustiças e defendeu a reescrita da história capixaba ao lado do PL:
“Não dá para aceitar que um poder simplesmente entre, ingresse em alguns assuntos que a gente chama matéria interna corporis, por exemplo, do parlamento (…) Caminharmos juntos, com o PL, com o senador Magno Malta, com a Maguinha para que nós possamos reescrever essa história, corrigir essas coisas que aconteceram e para que tenhamos um futuro de paz e prosperidade para o nosso povo.”
A manifestação aberta amarra a ponta que faltava para consolidar a entrada oficial do PL na chapa de oposição, mas joga uma pressão sem precedentes sobre o PSD no Espírito Santo, cujas lideranças, como o deputado Sergio Meneguelli, vinham alertando nos bastidores contra o risco de serem preteridos para beneficiar o clã Malta.










