Após a crise provocada pelo vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com Jair Bolsonaro e leu neste sábado (11) uma carta escrita pelo ex-presidente. No texto, Bolsonaro afirma que Flávio é seu “porta-voz” e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.
Na carta, o ex-presidente afirma que Flávio é a “melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”.
Na carta, o ex-presidente é enfático ao designar o filho não apenas como sucessor político, mas como seu “porta-voz”, no qual deposita confiança para “resgatar o Brasil”. A mensagem de Bolsonaro encerra-se com o tradicional lema “Deus, pátria, família e liberdade”.
Na visão de Bolsonaro, na carta lida por Flávio, o cenário político atual exige uma postura ativa e unida de seus apoiadores, enfatizando que “o momento é de arregaçar as mangas” e de “deixarmos de lado as possíveis diferenças”.
Durante a leitura, em transmissão nas redes sociais, Flávio destacou que a nomeação como porta-voz é um passo fundamental para evitar “falas conflituosas ou direções diferentes” dentro da direita. Nem a carta nem o presidenciável mencionaram diretamente a desavença pública com a ex-primeira-dama.
Flávio falou apenas que existem setores que estariam “boicotando a candidatura” ou aguardando um momento de maior conveniência política para se manifestarem.
Ele fez um apelo direto para que os apoiadores vistam a camisa e defendam a pré-candidatura nas redes sociais. Além disso, fez o compromisso de falar diretamente com o eleitorado por canais próprios, como o YouTube, para evitar o que chama de distorções.
O filho mais velho de Bolsonaro reforçou que a decisão do pai visa dar uma direção clara aos seguidores, convocando todos a deixarem de lado possíveis diferenças para focar no projeto presidencial de 2026.
Flávio esteve com o pai na manhã deste sábado, durante o horário de visita a que o ex-presidente tem direito: às quartas-feiras e aos sábados, por duas horas. Segundo o senador, ele costuma levar ao pai os resultados de pesquisas internas para animá-lo.
Bolsonaro está preso há quase um ano. Por quatro meses, ficou em regime fechado, na sede da PF em Brasília e na unidade conhecida como Papudinha. Desde março, está detido em casa, com restrição de visitas. Também está proibido de se manifestar em redes sociais, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
A última manifestação pública de Bolsonaro havia ocorrido em março, também por meio de uma carta. Na ocasião, o ex-presidente afirmou lamentar as críticas feitas por nomes da direita à ex-primeira-dama Michelle e a aliados.
Na carta, divulgada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes, Bolsonaro afirmou que as “cobiçadas vagas” para as eleições de 2026 devem ser definidas pelo diálogo em vez de pressões e ataques entre aliados.
O documento foi publicado após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmar que o apoio de Michelle e Nikolas a Flávio Bolsonaro está “aquém do desejável” e em meio a uma disputa interna por influência no partido.
Em dezembro, Bolsonaro também escreveu uma carta confirmando a indicação de seu filho mais velho como pré-candidato à Presidência da República em 2026. No texto, o ex-presidente falava em “continuidade” e cita batalhas que estaria enfrentando.
Flávio esteve na sexta-feira (10) no Ceará, onde encontrou aliados e participou de ato político. A visita à capital cearense acontece duas semanas após a divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez queixas sobre as costuras políticas feitas pelos filhos de Bolsonaro e criticou duramente a aliança do PL no Ceará com Ciro Gomes (PSDB).
Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais, no dia 24 de junho. A ex-primeira-dama criticou a aliança do PL com Ciro, pré-candidato a governador do Ceará, e falou dos ataques feitos pelos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).
A ex-primeira-dama disse que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e não atendeu o telefone. Depois, retornou a ligação de forma ríspida, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões do partido e não entendia nada de política. Afirmou que foi maltratada e humilhada.
Além do atrito envolvendo Michelle, o bolsonarismo passa por outros episódios de fogo amigo. O influenciador Paulo Figueiredo e o ex-secretário de Comunicação no governo Bolsonaro Fábio Wajngarten fizeram críticas à equipe da pré-campanha.
Leia a íntegra da carta:
“CARTA AOS BRASILEIROS
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria.
Deus, Pátria, Família e Liberdade”.
Brasília, FolhaPress – Raquel Lopes










