Após seis meses de licença-maternidade, a vereadora Karla Coser (PT) reassumiu o mandato na Câmara Municipal de Vitória no dia 5 de janeiro, em um momento de reorganização política no Legislativo da capital. As sessões ordinárias da Casa têm retorno previsto para o dia 2 de fevereiro. Em entrevista exclusiva ao ES Hoje, a parlamentar falou sobre o cenário político após seu afastamento, o papel da oposição ao prefeito Lorenzo Pazolini, os embates internos na Câmara e as transformações pessoais vividas com a chegada da filha, Maria Vitória.
Ao avaliar o ambiente político encontrado após o retorno, Karla afirmou perceber mudanças na relação entre o Executivo e o Legislativo. Segundo ela, o comportamento do prefeito em relação à Câmara tem sido diferente do observado em anos anteriores. “O prefeito está agindo de uma maneira bem diferente do que ele fez nos últimos anos. Ele, apesar de não assumir publicamente, é pré-candidato ao governo do Estado, então está muito mais simpático às ações da Câmara de Vitória, na relação com a própria Câmara”, declarou.
A vereadora citou como exemplo o aumento no número de projetos de autoria de vereadores da oposição que vêm sendo aprovados e sancionados. De acordo com Karla, esse movimento não era comum em legislaturas anteriores. Para ela, trata-se de uma escolha política do chefe do Executivo, que, segundo sua avaliação, também busca evitar desgastes com a oposição em um contexto pré-eleitoral.
Karla também comentou as diferenças de postura entre os parlamentares de oposição. Ela destacou que parte dos vereadores está em primeiro mandato, o que influencia a forma de atuação. “A nossa oposição foi construída durante muito tempo e, por conta disso, eu tinha mais firmeza em determinadas falas, sabendo das consequências disso. Os vereadores que chegaram agora estavam todos em primeiro ano de mandato”, afirmou. Segundo ela, é natural que esses parlamentares tentem inicialmente estabelecer diálogo com a prefeitura, algo que, em sua avaliação, tende a não se consolidar.
A oposição ficou enfraquecida?

Questionada se sua licença-maternidade enfraqueceu temporariamente a atuação da oposição, Karla disse que prefere não julgar o trabalho dos colegas, mas reconheceu diferenças no estilo de enfrentamento político. “Eu acho que inevitavelmente algumas pessoas sentiram falta de uma fala mais incisiva, mas os vereadores de oposição se organizaram em diversos momentos, questionando a Prefeitura de Vitória”, disse, citando como exemplo o debate do orçamento municipal, no qual emendas apresentadas pela oposição foram rejeitadas.
A vereadora avaliou como positiva a postura da oposição em episódios específicos ocorridos durante sua ausência, como a visita do deputado federal Gilvan da Federal à Câmara. Para ela, a decisão dos vereadores de se retirarem do plenário foi adequada. “Não tem que dar palanque para esse tipo de parlamentar”, afirmou, ao comentar a utilização do espaço da tribuna livre.
Reconhecida como uma das principais vozes críticas à gestão Lorenzo Pazolini, Karla afirmou que retomará o perfil combativo que marcou seus mandatos anteriores. “O nosso mandato se propõe a ser um mandato por todas as vozes. Esse perfil combativo vem de ampliar as vozes das pessoas da cidade que não são ouvidas por uma gestão que pune quem pensa diferente”, declarou. Segundo ela, o objetivo é apontar caminhos alternativos e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, com atenção especial às áreas mais vulneráveis da cidade.
Sobre a movimentação de vereadores que se declaram independentes, mas têm se aproximado do Executivo, Karla avaliou que essas articulações fazem parte do cenário político, especialmente em anos eleitorais. Ainda assim, reforçou que seu mandato seguirá voltado às pautas que considera centrais. “O nosso mandato fala pelos trabalhadores da cidade de Vitória, pelos servidores, pelas mulheres, pela população negra, pela população LGBT e pelas pessoas progressistas que acreditam nessas pautas”, afirmou.
No campo partidário, Karla comentou seu papel à frente da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara. Ela ressaltou o respeito aos colegas de bancada e afirmou que retomará a condução da liderança com clareza quanto ao posicionamento oposicionista. “É uma liderança que não vai deixar dúvidas para a cidade de Vitória onde nós estamos: na oposição ao prefeito Pazolini, na construção de uma cidade mais humana”, disse.
A vereadora também destacou que votar favoravelmente a projetos do Executivo não significa alinhamento automático. “Em muitos momentos votar com a prefeitura é normal, quando entendemos que os projetos são bons para a cidade. Mas eu não vou deixar de me posicionar quando achar que o caminho está equivocado”, afirmou.
A mamãe Coser

Primeira vereadora de Vitória a usufruir da licença-maternidade de 180 dias prevista no Regimento Interno da Câmara, Karla avaliou o impacto simbólico da experiência. Segundo ela, o afastamento contribuiu para reforçar o debate sobre a presença de mulheres e mães na política institucional.
“Foi muito simbólico. As pessoas reforçaram a importância de uma licença para a mulher nesse momento tão significativo”, declarou, defendendo a ampliação das licenças maternidade e paternidade.
No plano pessoal, Karla relatou que a maternidade transformou sua percepção sobre políticas públicas e prioridades do mandato. “A vivência transforma toda a nossa percepção de mundo. Hoje, quando penso em políticas públicas, penso ainda mais em como elas impactam a vida das mulheres”, disse, citando áreas como saúde, educação, transporte e creches.
Sobre a conciliação entre a rotina legislativa e os cuidados com a filha, a vereadora afirmou que o processo ainda está em adaptação. Ela destacou o apoio do companheiro e da família e relatou os desafios do retorno ao trabalho com uma criança pequena. “A gente ainda está tentando configurar como isso vai ser enquanto família”, explicou.
Ao falar sobre as mudanças provocadas pela chegada de Maria Vitória, Karla afirmou que a maternidade alterou profundamente sua vida pessoal e política. “Parece clichê dizer isso, mas efetivamente mudou tudo. O mundo não gira mais em torno das minhas vontades”, disse. Segundo ela, a experiência reforçou o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa. “O mundo que eu quero para minha filha ainda não é o mundo que a gente vive hoje. Isso me dá ainda mais força para trabalhar para que todas as crianças tenham oportunidades”, concluiu.
Com o retorno às atividades parlamentares, Karla Coser afirmou que reassume o mandato mantendo o compromisso de atuação ativa na Câmara Municipal de Vitória, conciliando o exercício da maternidade com a retomada do papel político que a consolidou como uma das principais vozes da oposição no Legislativo da capital.











Karla Cóser é uma política essencial, tipo melhor “custo & benefício”, seus eleitores/as souberam escolher uma representante para o povo, especialmente do território periférico, deixado à margem pelo executivo e legislativo. Ela se importa e defende sem perseguição; luta favoravelmente a favor dos concidadãos sem acepção. Seu mandato é visivelmente um destaque positivo no ES… @prtarcisio.