O tom da sessão da Câmara de Vila Velha desta quarta-feira (15) teve um ingrediente inesperado: o Pastor Fabiano (PL), conhecido por discursos inflamados e falas contundentes, adotou um estilo sereno, sem elevar a voz. A mudança gerou comentários nos bastidores e levantou uma pergunta inevitável: será que o “sabão” dado pelo prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), durante a prestação de contas da gestão na última segunda-feira (13), teria surtido efeito?
Na ocasião, o prefeito foi à Câmara apresentar um balanço das ações do Executivo municipal e, em um momento de tensão política, reagiu à provocação feita por Fabiano – que fora do microfone falou “só não ensine a roubar” – e disparou: “Vereador, você está insinuando alguma coisa? (interrompeu seu pensamento ao ouvir a provocativa do Pastor Fabiano) Você sai daqui, vai na delegacia ou no Ministério Público. Você é um falastrão. Lave a sua boca com sabão antes de vir falar comigo”.
Em outro momento disse: “Algumas pessoas não sabem o que é colegiado. Eu quero sugerir ao presidente dessa Casa que dê um curso para explicar alguns parlamentares o que é parlamento, o que é colegiado, o que é regimento interno, o que é lei orgânica da nossa cidade, o que é constituição federal”.
Durante a fala desta quarta-feira, Pastor Fabiano preferiu agradecimentos e elogios à Assembleia Legislativa, relatando sua participação em uma reunião ocorrida na tarde anterior.
“Eu tenho uma breve comunicação, presidente. Na tarde de ontem fui convidado a participar de uma reunião na Assembleia e quero aqui agradecer aos deputados, na pessoa do presidente Marcelo Santos e dos deputados do nosso partido, Lucas Polese e Pablo Muribeca. No mesmo sentido, quero parabenizar o presidente Marcelo Santos pela condução de uma matéria que havia sido enviada pelo chefe do Executivo Estadual em regime de urgência, sem algumas explicações que os deputados julgaram necessárias. Mesmo sendo aliado do governador, o presidente Marcelo Santos deu uma aula de imparcialidade e devolveu a matéria até que as explicações fossem anexadas e assim votada”, disse.
Alguns vereadores, em tom de brincadeira, comentaram que o Pastor Fabiano “baixou o volume depois da bronca de segunda-feira”. Outros viram na mudança de postura um movimento estratégico, já que o parlamentar costuma atuar na oposição, mas mantém diálogo aberto com lideranças políticas estaduais.









