Entrega de casa em Cariacica gera embate e expõe disputa pré-eleitoral

A entrega de uma unidade habitacional a uma moradora de Vitória, beneficiada por programa da Prefeitura da capital capixaba, mas que optou por adquirir o imóvel em Cariacica, provocou novo embate político na Câmara de Vereadores de Vitória nesta terça-feira (14). O episódio evidenciou o acirramento das tensões entre governo e oposição, e refletiu diretamente no ambiente político estadual, com repercussões envolvendo a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) e o prefeito da capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

A parlamentar, crítica frequente da gestão municipal, esteve presente na sessão da Câmara nesta terça, onde foi homenageada por sua atuação em defesa dos direitos humanos, ao receber a comenda Professor Hebert Montenegro, destacado por sua militância na área. No entanto, o foco dos discursos rapidamente se deslocou para a polêmica entrega habitacional.

Segundo a legislação vigente, os beneficiários do programa habitacional de Vitória recebem uma carta de crédito municipal, que lhes permite adquirir imóveis. No caso em questão, a beneficiária escolheu utilizar o benefício para comprar uma casa em Cariacica, município vizinho, o que motivou críticas por parte da deputada Camila Valadão em suas redes sociais e setores da oposição.

Diante das críticas, o líder do governo na Câmara de Vitória, vereador Leonardo Monjardim (Novo), saiu em defesa do prefeito Pazolini. Para o parlamentar, a oposição estaria desconsiderando fatores sociais e pessoais que levam beneficiários a optarem por morar em outros municípios, inclusive situações de vulnerabilidade, como mulheres com medidas protetivas contra agressores.

“O gestor público, prefeito da capital, implanta na cidade de Vitória um programa importante que é de habitação popular, dando dignidade a essas pessoas”, afirmou Monjardim. “Existem mulheres que estão recebendo essa casa em outra cidade por solicitação particular ou porque têm pedido protetivo contra seu agressor, seu ex-marido. Elas estão recomeçando em outro lugar.”, disse.

Monjardim destacou ainda o perfil austero da gestão de Pazolini, enfatizando que o prefeito tem uma gestão econômica “não tirou férias”, “não utiliza motorista, nem segurança, nem diárias” e que “não há escândalos de corrupção” na administração. “A crítica da oposição hoje é que o prefeito está entregando casas. Talvez seja exatamente isso que esteja causando tanta estranheza para essa turma aí”, completou.

Outros vereadores também se manifestaram sobre o tema. O vereador Armandinho Fontoura (PL) questionou a atuação parlamentar da deputada Camila Valadão e sua contribuição financeira para políticas públicas no município. “A vereadora Ana Paula  que homenageou a parlamentar, não informou quanto a deputada Camila Valadão enviou de emenda parlamentar para Vitória. Ela perdeu a eleição de prefeito, obviamente, porque a sociedade não acredita nesse projeto”, afirmou.

Já o vereador Darcio Bracarense (PL) trouxe uma crítica ideológica à política social da atual gestão, apontando que ações como o restaurante popular e o aluguel social podem, segundo ele, aumentar artificialmente o número de pessoas em situação de vulnerabilidade. “Criar mecanismos para trazer mais gente necessitada vai fazer com que a população de pessoas necessitadas aumente em Vitória”, declarou.

O vereador Luiz Emanuel (Republicanos) também comentou o episódio sob a ótica eleitoral, apontando que Pazolini, mesmo ainda não sendo oficialmente candidato, lidera pesquisas de intenção de voto para 2026. “O prefeito está sendo convocado para uma eleição no ano que vem e todas as pesquisas o colocam na liderança antes mesmo de anunciar sua candidatura”, disse. Ele insinuou que a repercussão da entrega em Cariacica também tem motivações políticas: “Está fazendo uma promoção da política de Vitória no município de Cariacica”, afirmou.

Disputa ideológica e projeção eleitoral

A controvérsia expôs os diferentes posicionamentos políticos no Legislativo da capital e trouxe à tona a crescente polarização em torno das políticas públicas municipais. De um lado, vereadores aliados do prefeito exaltam os números da gestão e apontam a ausência de escândalos como um diferencial. De outro, parlamentares da oposição, junto à deputada Camila Valadão, questionam critérios e transparência do programa habitacional.

A entrega da casa fora de Vitória, ainda que legal dentro do modelo da carta de crédito, reacende o debate sobre territorialidade dos benefícios sociais e levanta questionamentos sobre a real capacidade da capital de reter sua população vulnerável frente à pressão imobiliária e à carência de unidades disponíveis.

Com as eleições municipais de 2026 no horizonte e Lorenzo Pazolini já sendo cogitado como nome para disputar o governo estadual, os embates na Câmara devem se intensificar. A habitação, como se desenha, será um dos temas centrais no embate político.

 

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