O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou pronunciamento de 7 de setembro, que vai ao ar neste sábado (6), véspera do feriado. Na fala, Lula deve defender a soberania brasileira, o Pix, e destacar o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
O pronunciamento ecoa o mote do desfile oficial, realizado na manhã de domingo (7). A ideia é dar uma resposta à tentativa de influência dos Estados Unidos no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deve chegar à conclusão na próxima semana.
A expectativa é que Lula também volte a criticar opositores que defendem as sanções aplicadas pelo governo de Donald Trump ao Brasil, como a sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, a suspensão de vistos de autoridades e a aplicação da Lei Magnitsky contra ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Nos últimos dias, Lula vem criticando especialmente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), principal articulador das medidas contra o Brasil. Lula defende que a Câmara dos Deputados casse o mandato de Eduardo, e o chama de “traidor da pátria”.
Sessão de cinema
Também no sábado, Lula assistirá ao filme Malês, em sessão no Cine Alvorada. A estreia nacional do longa, dirigido por Antônio Pitanga, está marcada para o dia 2 de outubro.
O filme conta a história de uma das principais insurreições organizadas por africanos e seus descendentes escravizados no Brasil, em 1835. A pré-estreia da produção também acontece em Brasília, neste domingo (7), no Cine Nave, com sessão seguida de debate com a atriz Samira Carvalho.
Malês já foi exibido em festivais nacionais e internacionais. Em janeiro deste ano, a história foi apresentada ao público da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Na ocasião, em entrevista à Agência Brasil, o diretor Antônio Pitanga destacou que espera a circulação da obra muito além do circuito comercial.
“O meu sonho era trazer à baila essa história que a escola não conta. E humanizá-la de tal maneira para poder interagir com o século 21. Concluída a obra, o meu sonho agora é ir para banca dos saberes, escolas, para as universidades, os quilombos. E já está acontecendo”, contou Pitanga.
“O meu filme não pode ficar só nas salas de cinema frequentadas por brancos de classe média. Eles também vão ver. Mas esse filme precisa chegar às escolas, à favela e ao quilombo”, acrescentou.
Os malês, como eram conhecidos os muçulmanos negros, conheciam o alfabeto árabe, tinham domínio da escrita e grau de instrução elevado. Embora sejam os protagonistas do levante, buscaram também o apoio de outros grupos escravizados. A rebelião foi minuciosamente planejada e havia sido marcada para 25 de janeiro, por ser a data que celebra o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos.
Os enfrentamentos duraram mais de três horas. Mais de 70 africanos morreram nos conflitos e centenas foram punidos com penas de morte, prisão, açoites ou deportações. O episódio é detalhado no livro Rebelião Escrava no Brasil, publicado originalmente em 1986 pelo historiador João José dos Reis. A obra foi a principal referência para a produção do filme.
Malês, como observa Pitanga, não é um retrato frio do episódio. O filme dá espaço para que os personagens revelem suas individualidades: seus sonhos, suas tristezas, seus amores. Segundo o diretor, houve também a preocupação de fugir do estereótipo do escravo enquanto vítima passiva. “São cabeças pensantes”, afirma.
O elenco conta com a presença dos filhos de Antônio Pitanga: o ator Rocco Pitanga e a atriz Camila Pitanga.
Com informações do Correio Braziliense e da Agência Brasil









