A sessão desta segunda-feira (18) da Câmara de Vitória foi marcada por fortes críticas de vereadores ao processo de atendimento das demandas parlamentares.
O vereador Professor Jocelino (PT) fez uma denúncia direta contra o que chamou de “roubo de indicações”, acusando servidores indicados por parlamentares de atravessar pedidos feitos oficialmente no sistema da Câmara para dar prioridade a aliados da base governista.
“Desde o início do ano temos apresentado indicações após estudos técnicos, ouvindo comunidades e dialogando com a prefeitura. Mas, muitas vezes, recebemos como resposta apenas que são necessários mais estudos. Ao mesmo tempo, assessores de vereadores com cargos dentro da prefeitura conseguem acelerar essas mesmas indicações, como se fossem deles. Isso é atravessamento, e nós estamos de olho. O povo precisa do serviço, não de jogo político”, disparou Jocelino, ao citar pedidos de quebra-molas, sinalização, parquinhos e manutenção em bairros da capital que, segundo ele, foram desviados para outras assinaturas parlamentares.
O vereador afirmou ainda que não teme o embate: “Não vou criar um ringue sobre indicações, mas precisamos ter a honestidade de respeitar o trabalho dos colegas. Eu tive que ir pessoalmente à prefeitura cobrar uma demanda séria do Centro que não foi atendida. E depois fiquei sabendo que havia assessor de fulano ou beltrano tentando dar resposta como se fosse trabalho deles. Isso não pode acontecer”.
A vereadora Ana Paula Rocha (PSOL) reforçou a crítica e disse que também sofre com o que chamou de “indicações furtadas”. “Faço coro com Jocelino. Muitas vezes, quando recebo resposta das minhas indicações, a prefeitura diz que já foi feito e que não tem nada a ver comigo. Aproveito para reforçar um pedido desde o início do mandato: a faixa elevada em frente à Escola São Vicente, na Praça Irmã Josafá, que até hoje não foi atendida. Também indico que a prefeitura insira na Câmara Intersetorial de Políticas Públicas para População em Situação de Rua os movimentos sociais que atuam na área, como o Movimento Sai da Rua, o Movimento do Povo da Rua e a Pastoral Operária, que devem ser reconhecidos como sujeitos de direitos”.
O presidente da Câmara, Anderson Goggi também se manifestou sobre o tema e procurou adotar um tom conciliador. Ele citou o caso da Rua 7, onde veículos estavam transitando em alta velocidade sobre o calçadão.
“Nós fomos lá, registramos vídeo e cobramos energicamente a prefeitura. O bom é que, quando atende, não atendeu o vereador Anderson Goggi, atendeu a comunidade. E isso também tem um lado positivo: mesmo que a indicação seja de um parlamentar, quando o serviço é feito, ele chega a quem realmente precisa”.










