A realidade difícil enfrentada pelos pequenos circos do Espírito Santo foi pauta da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (Ales). Representantes do setor solicitaram apoio dos deputados e intermediação junto a autoridades estaduais e municipais para garantir condições de funcionamento e sobrevivência da atividade.
Alerson Costa Bastos, do Circo Mundial, falou em nome de 16 famílias circenses e do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Espírito Santo (Sated-ES). Ele destacou que o segmento está “desamparado pelo poder público” e que muitos circos encontram-se parados desde a pandemia. Entre as propostas apresentadas ao colegiado estão a criação de uma categoria específica para circos nos editais de cultura, a instituição de um certificado de Circo Capixaba, um sistema de rodízio para contemplados nos editais e o reconhecimento das famílias tradicionais circenses do estado.
O vice-presidente da comissão, deputado Sergio Meneguelli (Republicanos), defendeu a criação de uma lei de incentivo exclusiva para o setor, além de cobrar que as prefeituras facilitem a instalação dos circos nas cidades. Ele também sugeriu que a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) avalie a criação de uma Escola de Circo no Espírito Santo. “O investimento na arte é um investimento na qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
A presidente do Centro de Apoio e Memória ao Circo do Espírito Santo, Verônica Gomes, ressaltou que não há política pública voltada aos circos pequenos e pediu que a Secult faça um cadastro e visite as famílias. Ela defendeu mudanças na Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), com regras e tributos diferenciados para os pequenos, e comparou: “O circo não pode ter o mesmo olhar de um show do Roberto Carlos”.
Representando o Circo Imperial, Carlos Roberto Batista pediu desburocratização e rapidez nos processos de autorização e instalação, criticando o alto custo de taxas e a demora no atendimento. Diante das demandas, Meneguelli orientou que os circos formalizem as solicitações e as enviem também às 78 Câmaras Municipais, já que muitas questões dependem de ações locais.










