O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados instaurou processo disciplinar contra o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES), que pode culminar na cassação do mandato. A decisão vem na esteira de uma sequência de episódios polêmicos que colocaram o parlamentar no centro de crises institucionais recentes em Brasília.
O deputado, que já cumpre suspensão de três meses imposta pelo próprio colegiado, é acusado de ofensas graves contra autoridades da República. Em sessão do Parlamento, Gilvan se referiu à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), com termos ofensivos como “amante” e “prostituta do caramba”. Dias antes, ele havia desejado a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também do PT, o que acentuou a crise.
A atual representação contra Gilvan foi protocolada pela própria Mesa Diretora da Câmara — um movimento raro e considerado inédito — que apontou “procedimento incompatível com o decoro parlamentar”. A denúncia foi acolhida pelo presidente do Conselho de Ética, deputado Fábio Schiochet (União-SC), que deu início formal ao processo.
“Recebo a presente representação 1/2025 de autoria da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em desfavor do deputado Gilvan da Federal. Instaura-se o processo disciplinar nos termos da Resolução 25/2001, modificada pela Resolução 2/2011, que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar”, declarou Schiochet, ao anunciar a decisão.
O próximo passo será o sorteio da lista tríplice para escolha do relator da ação, que terá prazo de 10 dias úteis para apresentar parecer. A sessão que faria o sorteio foi interrompida nessa terça (8) por conta da ordem do dia no plenário da Câmara e será retomada na próxima reunião do Conselho.
Gilvan da Federal chegou ao Congresso com forte discurso de direita e foi eleito com base em pautas de segurança pública, após atuar como policial rodoviário federal. Desde o início do mandato, ele protagonizou embates acalorados e acumulou episódios controversos.
Entre eles, está a divulgação de vídeos nas redes sociais em que ataca colegas parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal, o que já lhe rendeu representações anteriores no Conselho de Ética.









