A vereadora de Vitória, Karla Coser (PT), foi chamada de “menina mimada” pelo também parlamentar, Luiz Emanuel Zouain (Cidadania), durante sessão ordinária na manhã desta quarta-feira (22). A discussão (veja abaixo) começou quando o presidente da Casa, vereador Davi Esmael (PSD), falava sobre o caso de uma criança de 11 anos, que engravidou após ser vítima de um estupro no Estado de Santa Catarina.
Esmael dizia que o que houve com a menina é “trágico” e que a “dor existe”. Nesse momento, Luiz Emanuel interrompeu o colega e fez um questionamento a ele, para entender se o maior trauma que a criança teria seria não deixar “o filho nascer”, o que, de imediato, gerou uma reação da vereadora petista.
“A menina disse que não quer a criança, gente. Vocês não são mulheres, não tem noção do que é ter [inaudível]”, disse a vereadora, fazendo com que os outros dois parlamentares exaltassem os ânimos, pedindo para a parlamentar “deixar de conversa fiada”, porque ela “não é o bebê”.
A discussão, nesse caso, está em torno do aborto legal que essa menina teria direito, tendo em vista o que motivou a gestação: um estupro. Esmael e Luiz Emanuel, porém, são declaradamente conservadores e contra o procedimento de interromper a gravidez, mesmo estando previsto em lei em três casos.
De acordo com o Código Penal “não se pune o aborto praticado por médico” quando não há outro meio de salvar a vida da gestante; a gravidez resulta de estupro; ou em caso de anencefalia do feto, ou seja, quando não há a formação do cérebro — fora dessas três possibilidades, a realização do aborto é considerada uma prática criminosa.
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Ainda na tribuna da Câmara de Vitória, os vereadores questionaram a capacidade de Karla se manifestar a respeito do tema por ela não ser mãe. “Você não é mãe. Você não sabe o que é isso. Eu sou pai de 2 de 11 anos. Você é uma mulher que se faz frágil. Você é uma mulher que se faz de coitada”, chegou a dizer Esmael.
A reportagem entrou em contato tanto com Luiz Emanuel Zouain, que disse, apenas, ter reagido reagi a vereadora Karla, “quando ela me chamou de ‘sem noção’ enquanto eu aparteava o vereador Davi”. No mais, sou sensível a situação da menina, mas totalmente contra o aborto”, finalizou.
ESHoje também procurou o vereador Davi Esmael, que afirmou que o posicionamento dele “continua o mesmo a respeito do aborto e foi isso que demonstrei a todo tempo durante o debate na sessão”. “É uma crueldade assassinar um bebê com 23 semanas, quase seis meses de vida. Sou contra o aborto e muitos não aceitam a opinião contrária”, enfatizou.
Entenda o caso menina de 11 anos
Toda discussão girou em torno do caso de uma criança de 11 anos, grávida após ser vítima de um estupro, que estava sendo mantida pela justiça de Santa Catarina em um abrigo há mais de um mês para evitar um aborto legal. Dois dias após a descoberta da gravidez, a menina foi levada ao hospital pela mãe para realizar o procedimento. A equipe médica, no entanto, se recusou a realizar o abortamento, permitido pelas normas do hospital só até as 20 semanas. A menina estava com 22 semanas e dois dias.
Foi então que o caso chegou à juíza Joana Ribeiro Zimmer, que induziu a menina a desistir de aborto. Um vídeo da audiência, realizada no dia 9 de maio, veio a tona apenas na segunda-feira (20), por meio de uma reportagem do Intercept Brasil e do Portal Catarinas.
Texto atualizado em 22 de junho de 2022 às 19h45 e em 23 de junho de 2022 às 8h20. Após a publicação, os vereadores Luiz Emanuel Zouain e Davi Esmael enviaram nota.









