Prisão de “Waguinho Batman”: cobrança de dívida teria levado à morte de ex-vereador de Presidente Kennedy

Classificado pelas autoridades como um homem de fala mansa, mas de personalidade perigosa e cruel, Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como “Waguinho Batman”, apontado como mandante do assassinato do ex-vereador de Presidente Kennedy Marcos Augusto Costalonga, o Marquinhos da Cooperativa, foi preso nesta terça-feira (14), em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O crime teria sido motivado por uma dívida referente à compra de mourões de cerca.

Segundo a investigação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), o suspeito, que estava foragido da Justiça desde 2024, não teria aceitado a pressão feita pela vítima para o pagamento do débito. A prisão foi realizada por equipes da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O suspeito chegou a ser localizado em Mangaratiba na última sexta-feira (10), mas conseguiu fugir ao se misturar ao público durante um evento na cidade.

As buscas continuaram e, nesta terça-feira, os policiais conseguiram cercá-lo e cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Espírito Santo.

Prisão de “Waguinho Batman”: cobrança de dívida teria levado à morte de ex-vereador de Presidente Kennedy

Dívida teria levado vítima à morte

O coordenador do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) Sul, delegado Rômulo Carvalho Neto, detalhou a motivação apontada pela investigação para o assassinato do vereador.

Segundo o delegado, Gilbert Wagner atuou na Prefeitura de Marataízes e, posteriormente, passou a administrar empresas que prestavam serviços para municípios da região Sul do Espírito Santo.

De acordo com Rômulo Carvalho, em 2020, ele teria comprado mourões de cerca para uma obra que realizava do então vereador de Presidente Kennedy Marcos Augusto Costalonga, o Marquinhos da Cooperativa, mas não teria efetuado o pagamento pelo material.

“Em 2020, ele adquiriu mourões de cerca para uma obra que executava. O material foi comprado do então vereador de Presidente Kennedy, Costalonga, mas não foi pago. O vereador passou a cobrar insistentemente a dívida”, disse.

Ainda segundo o delegado, a vítima chegou a afirmar que buscaria junto à prefeitura o bloqueio de pagamentos destinados a Gilbert até que a dívida fosse quitada.

“Ele não gostou de ser cobrado. A investigação conduzida pela Delegacia de Presidente Kennedy revelou que, em razão dessa cobrança, ele determinou a morte do vereador”, afirmou.

Com a conclusão das investigações e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a Justiça expediu um mandado de prisão contra Gilbert Wagner. Desde 2024, ele permanecia foragido.

Prisão de “Waguinho Batman”: cobrança de dívida teria levado à morte de ex-vereador de Presidente Kennedy

Histórico de crimes e passagem pela Força Aérea

Rômulo Carvalho explicou que Gilbert Wagner já era considerado, segundo a Polícia Civil, um suspeito de alta periculosidade na região Sul do Estado.

“Tudo começou nos anos 2010, em Itapemirim e Marataízes, quando passou a agir de forma semelhante às milícias do Rio de Janeiro. Nesse período, cometeu crimes de tentativa de homicídio, homicídios consumados e homicídios praticados com grande perversidade”, afirmou o delegado.

Segundo Rômulo Carvalho, após cumprir pena, Gilbert chegou a ingressar na Força Aérea Brasileira por meio de um processo seletivo para terceiro-sargento temporário, mas teria utilizado documentos falsos e apresentado informações incompatíveis com seu histórico.

“Ele entrou de maneira fraudulenta, utilizando documentos falsos. Inclusive, apresentou períodos de experiência profissional que coincidiam com o tempo em que esteve preso no Espírito Santo. Por causa disso, acabou desligado da Força Aérea Brasileira”, explicou.

O delegado também destacou que Gilbert possuía articulações políticas e chegou a atuar profissionalmente após deixar o sistema prisional.

“O Wagner era uma pessoa que possuía muitos contatos políticos. Após sair da prisão, conseguiu trabalhar em empresas e na Prefeitura de Marataízes, ocasião em que fez negócio com a vítima”, disse.

Fim da fuga: inteligência policial localiza suspeito no Rio de Janeiro

O delegado-geral adjunto da PCES, Fabrício Dutra, informou que a abordagem ocorreu sem resistência e que o suspeito não esperava pela ação policial.

“Ele estava foragido há muitos anos. A captura foi tranquila, porque ele não esperava a abordagem. Itaguaí é um berço da milícia e ele buscava abrigo naquela região porque vinha sendo pressionado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Já tínhamos tentado localizá-lo diversas vezes, mas ele conseguia escapar dos caminhos que buscávamos. Sempre estava um passo à frente”, relatou.

Segundo Dutra, o cerco foi fechado com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro e a identidade do suspeito foi confirmada no momento da prisão.

“Ontem conseguimos fechar o cerco e, com o apoio dos colegas da Polícia Civil do Rio de Janeiro, confirmamos que se tratava da pessoa procurada. No momento da prisão, ele apresentou um comportamento extremamente calmo, tranquilo e de fala mansa. Segundo o delegado local, chegou a aparentar ser uma pessoa doce”, relatou.

O delegado também informou que Gilbert utilizava uma identidade falsa para dificultar sua localização durante o período em que permaneceu foragido.

Dutra destacou que o trabalho de inteligência foi fundamental para a localização do suspeito e ressaltou a importância do acompanhamento das ações realizadas durante a investigação.

“Especificamente em relação a esse caso, é importante traçar uma linha do tempo. Há cerca de 90 dias, foram definidos alguns objetivos voltados para indivíduos de alta periculosidade que estavam foragidos. O gabinete reservou uma equipe para esse trabalho de inteligência e selecionou alguns alvos para auxiliar as demais unidades da Polícia Civil”, explicou.

“Na região Sul, esse alvo foi escolhido para reforçar a atividade de inteligência junto às unidades locais. Vale lembrar que já existia um trabalho anterior realizado pela Polícia Civil de Presidente Kennedy, com investigação, inquérito instaurado e denúncia formalizada. O objetivo sempre foi tirá-lo de circulação para que pudesse responder pelos crimes e ser julgado”, acrescentou. “É um indivíduo extremamente perigoso, um miliciano”, afirmou.

Caçada ao foragido envolveu inteligência, tecnologia e integração policial

Segundo o delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, nos últimos dois meses as ações de inteligência foram intensificadas para dar cumprimento ao mandado de prisão, principalmente pelo fato de o suspeito ser denunciado por um crime considerado gravíssimo: o homicídio de uma autoridade de Presidente Kennedy.

“Durante esse período, foram realizadas diversas ações para localizá-lo. A Divisão de Homicídios já vinha no encalço dele e estávamos próximos de realizar essa prisão. Houve uma integração muito grande entre as inteligências do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com troca de informações direta entre as cúpulas das polícias civis dos dois estados. Certamente, sem essa parceria, essa prisão provavelmente não teria ocorrido”, destacou.

Sobre a identificação do foragido, Jordano Bruno ressaltou o uso do reconhecimento facial.

“Além da troca de informações, utilizamos o reconhecimento facial para confirmar a identidade dele. Havia mudanças na aparência, como barba, cabelo maior e alteração no porte físico, mas o sistema apontou mais de 96% de probabilidade de que se tratava dele, trazendo segurança para a confirmação da prisão. Foi uma ferramenta fundamental. Agora ele está preso e será submetido ao julgamento regular”, disse.

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