Apesar de a Justiça ter revogado a prisão preventiva do cabo da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), Iago Rudio, nesta quinta-feira (16), o militar continua detido. Isso porque a decisão se refere apenas a um dos processos criminais em que ele responde.
A prisão relacionada à Operação Farda Oculta, que investiga suposto envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa, segue válida. A revogação concedida pela Justiça trata de outro processo, que apura os crimes de posse irregular de arma de fogo de uso restrito, resistência e lesão corporal decorrente de oposição à atuação policial.
Revogação da prisão
A prisão preventiva foi revogada nesta quinta-feira após policiais civis indicados como testemunhas de acusação não comparecerem à audiência de instrução e não apresentarem justificativa no momento.
Segundo a decisão judicial, a audiência não foi concluída porque os agentes não participaram do ato, o que prejudicou o andamento do processo por circunstâncias consideradas alheias à vontade do acusado.
O magistrado também considerou o parecer favorável do Ministério Público à revogação da prisão, além do fato de Iago possuir residência fixa, exercer atividade profissional lícita e não ter condenações criminais definitivas.
Embora tenha destacado a gravidade dos crimes investigados, o juiz entendeu que, neste momento, não havia elementos suficientes para justificar a manutenção da prisão preventiva.
Com isso, a prisão foi substituída por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de deixar a comarca sem autorização judicial, de manter contato com testemunhas e de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos semelhantes.
O descumprimento das medidas pode levar à decretação de uma nova prisão preventiva.
Operação Farda Oculta mantém prisão
Mesmo com a revogação neste processo, Iago Rudio continua preso por causa de outra ação penal. A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informou que a prisão preventiva decretada no processo nº 5042887-91.2025.8.08.0048, em tramitação na 4ª Vara Criminal da Serra, permanece em vigor.
Nesse caso, o militar responde por suspeita de envolvimento nos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa.
Segundo as investigações, ele teria atuado de forma estável e coordenada com Bryan Lyrio Deolindo, apontado como liderança de uma facção criminosa e atualmente procurado no Espírito Santo.
PCES explica ausência de policiais em audiência
Sobre a audiência que resultou na revogação da prisão preventiva, a PCES informou que a ausência dos policiais civis ocorreu por um erro técnico da vara criminal responsável pelo encaminhamento da solicitação.
Segundo a corporação, os agentes receberam um link para participar da audiência virtual marcada para as 10h30. Eles acessaram a sala no horário previsto e permaneceram aguardando autorização de entrada até aproximadamente as 13h, quando deixaram o ambiente virtual.
A PCES afirmou ainda que foram feitas tentativas de contato pelo telefone oficial informado na requisição, mas as chamadas não foram completadas, indicando que o terminal estava desligado ou fora da área de serviço.
A corporação reforçou que a prisão preventiva de Iago Rudio continua válida no processo relacionado à Operação Farda Oculta.










