Jovem é resgatada de cárcere privado em Guarapari após ser jogada de escada com bebê

Uma jovem de 18 anos foi resgatada enquanto estava em cárcere privado no bairro Recanto da Sereia, em Guarapari. A prisão do suspeito de 19 anos aconteceu no primeiro dia da Operação Mulher Segura. Um dia antes de ser capturado, o homem jogou a mulher da escada junto com um bebê de oito meses. 

De acordo com a chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), delegada Claudia Dematté, esta fase da Operação ocorre em todo o país e é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça. Ao longo de junho, serão realizadas ações de repressão, cumprimento de mandados de prisão, buscas e apreensões, além da verificação de denúncias registradas pelos canais 181 e 180. A programação também inclui atividades de prevenção, como ações em escolas e outras iniciativas de conscientização. 

Segundo a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarapari, delegada Francini Moreschi, responsável pela prisão do suspeito, no primeiro dia da ação, a equipe recebeu informações de que a vítima estaria em cárcere privado e com lesões corporais. “Ela é de Alagoas e estava na cidade há pouco tempo. A vítima havia conseguido pedir ajuda e o setor de inteligência de Alagoas entrou em contato conosco. A partir de levantamentos, conseguimos identificar o local onde ela estava.”

A delegada contou ainda que o local onde a jovem estava se trata de um prédio de dois andares. “Entramos e localizamos o apartamento da vítima. “Percebemos algo estranho: as janelas voltadas para o corredor estavam todas fechadas e a temperatura interna era muito elevada. Chamamos pelo nome da vítima e, inicialmente, não houve resposta. Quando informamos que seria necessário arrombar a porta, ela respondeu que estava em casa e abriu”, frisou. 

Francini Moreschi destacou ainda que quando encontraram a mulher, ela estava com marcas pelo corpo. “Ao entrarmos, constatamos que a vítima estava com o olho direito inchado e com hematomas. O agressor estava na residência e a mantinha em cárcere privado. A casa permanecia completamente fechada, com forte cheiro de mofo, como se não houvesse entrada de ar”, pontuou.

Jovem é resgatada de cárcere privado em Guarapari após ser jogada de escada com bebê
Suspeito queria usar dinheiro do leite do bebê para comprar cigarros.

Segundo a delegada, o estado emocional da jovem evidenciava o medo e o controle exercidos pelo agressor durante o período em que permaneceu em cárcere privado. “Demos voz de prisão ao agressor. A vítima estava bastante amedrontada. A primeira pergunta que ela fez foi: ‘Quem chamou vocês aqui?’, demonstrando preocupação de que o agressor acreditasse que ela havia pedido ajuda. Nós explicamos que estávamos ali para ajudá-la”, contou. 

Leite do bebê e cigarros foram alvo de discussão

Em depoimento aos policiais, a jovem relatou as agressões sofridas e contou como uma discussão considerada banal terminou em violência. “Após a prisão, conversamos com a vítima. Ela confirmou que havia sido agredida após uma discussão banal. Um dia antes da prisão, ela perdeu um maço de cigarros que o companheiro havia pedido para comprar. Ele exigiu que ela comprasse outro, mas a mulher negou. Ela afirmou que o dinheiro que tinha era para comprar o leite do bebê, de apenas oito meses. Insatisfeito com a resposta, o homem iniciou a briga”, informou.

Para a delegada, a vítima contou que estavam na residência de uma tia do suspeito, e na volta para casa, a briga se intensificou. “Em determinado momento, ele pegou a criança e a vítima pediu que a devolvesse. Inicialmente, eles estavam na casa de uma tia do agressor e, no retorno para o imóvel deles, o suspeito ameaçou ficar com a criança. Ela argumentou que ele sequer havia registrado o bebê. Em seguida, ele colocou a criança no chão e ela respondeu que ‘o bebê não é cachorro’.”

Ainda segundo a delegada, na ocasião, a vítima pegou a criança e disse que não queria entrar na residência com ele. Já na porta da casa, ele a empurrou escada abaixo enquanto ela estava com a criança no colo. Com receio de que ela pedisse ajuda, passou a mantê-la trancada.

“A vítima conseguiu entrar em contato com pessoas em Alagoas e, por meio do trabalho de inteligência e da integração entre as polícias dos dois estados, obtivemos êxito na prisão do agressor. A vítima está em Alagoas com a família”.

 

Jovem é resgatada de cárcere privado em Guarapari após ser jogada de escada com bebê
Ao longo de junho, serão realizadas ações de repressão, cumprimento de mandados de prisão, buscas e apreensões, além da verificação de denúncias registradas pelos canais 181 e 180.

 

Educação é aposta para romper ciclo da violência

Ainda de acordo com Claudia Dematté, outro homem também foi preso suspeito de agressão contra mulher, desta vez, em Vitória. A delegada conta que a iniciativa também promove o diálogo com crianças e adolescentes sob uma perspectiva preventiva, buscando evitar que meninas se tornem futuras vítimas e que meninos venham a ser futuros autores de violência.

“A gente bate na tecla de divulgar as ações que vão acontecer porque essa é uma diretriz nacional do Ministério da Justiça e um compromisso de todos os estados do Brasil. É óbvio que precisamos trabalhar na repressão, mas também na prevenção, porque estamos falando de uma violência que, infelizmente, é estruturada na nossa sociedade, fruto de um machismo que ainda leva homens a praticarem atos absurdos contra mulheres, acreditando que elas são posse e propriedade”.

Operação Nacional Mulher Segura

Dematté ressaltou ainda que AS ações da 2ª edição da Operação Nacional Mulher Segura, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ocorrem desde segunda-feira (1º). A operação faz parte de uma mobilização nacional que busca fortalecer o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, reunindo medidas de prevenção, proteção às vítimas e repressão qualificada aos agressores.

Nesta edição, as atividades da Operação Mulher Segura serão realizadas de forma integrada ao longo de sete meses. No Espírito Santo, a ação é coordenada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), por meio da Gerência de Operações Integradas (GOI), com atuação conjunta da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) e da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).

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