O Espírito Santo alcançou um marco histórico na redução da violência juvenil. Dados divulgados pelo Atlas da Violência mostram que, pela primeira vez desde o início da série histórica, a taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos ficou abaixo da média nacional.
Em 2024, o índice de homicídios nessa faixa etária caiu 7,6% no estado, chegando a 59,8 mortes por 100 mil habitantes. O resultado coloca o Espírito Santo em uma situação mais favorável do que a média brasileira, que encerrou o período em 62,4 mortes por 100 mil jovens.
Na comparação dos últimos dez anos, entre 2014 e 2024, a redução acumulada da letalidade juvenil no estado chegou a 41,8%. O levantamento aponta que o resultado reflete investimentos em políticas públicas voltadas para áreas periféricas, como a ampliação dos Centros de Referência das Juventudes (CRJs).
Apesar da queda nos índices, o alerta ainda permanece. Os jovens continuam sendo as principais vítimas da violência letal no Espírito Santo, representando 51,7% do total de assassinados no estado.
Subnotificação preocupa especialistas
Se os dados sobre a juventude apresentam maior consistência estatística, o mesmo não ocorre em relação às minorias sociais. O relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responsável pelo Atlas da Violência, aponta falhas graves na notificação de crimes contra idosos e contra a população LGBT+.
O Espírito Santo registrou estabilidade nos homicídios de idosos, com taxa de 4,2 mortes por 100 mil habitantes, além de quase nenhum caso oficialmente registrado por motivação de homofobia ou transfobia. No entanto, segundo o Atlas, os números não necessariamente indicam baixa incidência de violência, mas sim falhas no registro das ocorrências.
O estudo destaca que delegacias e unidades de saúde frequentemente deixam de preencher informações importantes nos boletins de ocorrência e prontuários, como orientação sexual, identidade de gênero e detalhes relacionados à negligência ou violência familiar contra idosos.
Segundo especialistas, essa subnotificação gera invisibilidade estatística e dificulta a criação de políticas públicas mais eficazes para a proteção dessas populações.
Ativistas e juristas reforçam que, sem a correta identificação da motivação preconceituosa nos registros policiais, casos de violência contra idosos e pessoas LGBT+ acabam sendo contabilizados apenas como crimes comuns, mascarando a dimensão real do problema no estado.









