A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou na última quinta-feira (26) a operação “Onerado”, que desarticulou um grupo investigado por aplicar fraudes e lavar dinheiro com o uso de cartões de benefícios, como cartão alimentação.
Durante a ação, um casal, ambos de 43 anos, apontado como integrante do alto escalão financeiro da organização, foi preso em flagrante. As investigações apontam que o grupo movimentava cerca de R$ 1 milhão por mês com o esquema.
Mandados e apreensões
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais nos bairros Feu Rosa e Carapebus, na Serra, e em Goiabeiras, em Vitória.
Ao todo, a polícia apreendeu 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros; quatro máquinas de cartão registradas em CNPJs de “laranjas”; quatro celulares; documentos e cadernos com anotações; cheques e notas promissórias e um veículo de luxo.
Como funcionava o golpe
Segundo a Polícia Civil, os usuários dos cartões de benefícios entregavam os cartões ao grupo criminoso. Os suspeitos simulavam compras e transferiam todo o saldo para empresas registradas em nome de terceiros, inclusive de fora do estado.
O grupo cobrava uma taxa que variava entre 20% e 40% do valor disponível no cartão. O restante era devolvido ao beneficiário em dinheiro ou por Pix.
As investigações também identificaram o uso de cartões clonados e de cartões com saldo desviado de empresas. Em alguns casos, valores eram furtados de companhias e inseridos em cartões de benefícios, que depois eram repassados ao grupo para conversão em dinheiro.
Desvio começou dentro de empresa
A apuração teve início após denúncias envolvendo uma funcionária do setor financeiro de uma empresa. Ela é suspeita de desviar aproximadamente R$ 200 mil ao transferir valores da empresa para um cartão de benefícios que ela mesmo utilizava. Em seguida, entregava o cartão ao grupo, que realizava a operação e devolvia parte do valor a ela, retendo uma porcentagem.
Com o avanço das investigações, a polícia descobriu que o grupo mantinha uma loja física na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória. No local, pessoas iam até os suspeitos para trocar cartões de benefícios por dinheiro ou transferência via Pix.
Alerta para quem vende cartões de benefícios
A Polícia Civil alerta que pessoas que vendem cartões de benefícios, sabendo que há um esquema irregular por trás, também podem ser responsabilizadas criminalmente.
“A partir do momento que você leva seu cartão de benefício pessoal, dado por sua empresa, e você aceita ter esse desconto de 30% a 40%, você pode estar colaborando com uma organização criminosa”, alerta o delegado Vinícius Landeira.
Histórico de crimes
De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos têm histórico de agiotagem, extorsão e ameaças. A corporação informou que as investigações continuam para análise do material apreendido e identificação de outros possíveis participantes do esquema.
A operação foi batizada de “Onerado” em referência aos prejuízos causados pelo grupo, tanto a empresas quanto a trabalhadores que utilizam os cartões de benefícios.
Os presos foram autuados por lavagem de dinheiro, receptação qualificada e crime conta a economia popular.









