Jovem confessa que inventou agressão e fez namorado ser preso no ES

Uma adolescente de 16 anos foi autuada por ato infracional análogo ao crime de denunciação caluniosa após admitir que inventou uma denúncia de agressão contra o namorado, de 29 anos, em Castelo, no Sul do Espírito Santo. A acusação levou à prisão do homem, que posteriormente foi considerado inocente durante as investigações.

De acordo com a Polícia Civil (PCES), o caso começou no dia 23 de fevereiro, quando a jovem procurou a delegacia e relatou, em prantos, ter sido agredida e ameaçada pelo companheiro na casa onde o casal vivia.

No relato inicial, a adolescente afirmou que o homem teria a derrubado no chão, desferido socos, enforcado e arrastado seu corpo pelo piso de cimento. Ela também disse que teria sido ameaçada de morte caso registrasse a ocorrência.

Diante das declarações e da presença do suspeito nas proximidades da delegacia — interpretada naquele momento como possível tentativa de intimidação — policiais civis efetuaram a prisão em flagrante do homem. Ele foi autuado e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Marataízes.

Durante o andamento do procedimento, porém, e antes da análise judicial da prisão na audiência de custódia, a adolescente apresentou uma declaração por escrito à Justiça afirmando que os fatos relatados não eram verdadeiros.

Em novo depoimento, ela disse que a situação ocorreu após uma discussão motivada por ciúmes e que, em um momento de forte emoção, decidiu acionar a polícia e atribuir ao companheiro agressões que não aconteceram. A jovem também afirmou que marcas visíveis em seu corpo eram resultado de uma queda anterior, sem relação com o episódio relatado inicialmente.

A retratação ocorreu antes da decisão judicial sobre a manutenção ou o relaxamento da prisão do homem.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Polícia de Marataízes, Thiago Gomes Viana, a adolescente foi autuada por ato infracional análogo ao crime de denunciação caluniosa, previsto no artigo 339 do Código Penal.

Por se tratar de uma menor de idade, a identidade da adolescente é preservada, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso será encaminhado ao Juízo da Infância e da Juventude, que vai analisar as medidas socioeducativas cabíveis.

Em nota, a Polícia Civil destacou que a denunciação caluniosa pode causar prejuízos ao sistema de Justiça e levar pessoas inocentes a responder por acusações que não cometeram, além de mobilizar recursos públicos que poderiam ser destinados a outras ocorrências.

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