A ameaça de explosão dentro de uma agência bancária traz à tona o risco a que trabalhadores do setor estão constantemente expostos, tendo, inclusive, potencial de impacto na saúde física e psicológica. Foi esse o cenário registrado na tarde de quarta-feira (28), no Centro de Vitória, quando um homem de 63 anos anunciou um assalto na Agência Central do Banestes e afirmou que um comparsa estaria do lado de fora com um explosivo pronto para detonar o local.
O suspeito entrou normalmente pela porta giratória, dirigiu-se ao balcão de atendimento e passou a ameaçar funcionários, dizendo que, caso o dinheiro não fosse entregue, a agência seria explodida. Segundo relatos, ele ainda simulava comunicação com o suposto comparsa por meio de um radiocomunicador. Enquanto o atendente alegava que iria buscar o dinheiro, a equipe de segurança realizou a abordagem.
A Polícia Militar foi acionada e, após revista pessoal, constatou que o homem não portava explosivos, armas ou qualquer objeto ilícito. Também não havia comparsa do lado de fora da agência. O suspeito foi encaminhado à 1ª Delegacia Regional de Vitória, onde foi identificado um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil, as oitivas seguem em andamento no plantão vigente.
Violência no trabalho não exige ferimento físico
Embora a ocorrência não tenha deixado feridos, especialistas alertam que episódios como esse não se encerram com a prisão do suspeito. Para os trabalhadores que estavam no local, a exposição à ameaça extrema faz parte de um contexto que pode gerar consequências duradouras.
A advogada trabalhista Paloma Valory, sócia do escritório Ferreira Borges, explica que situações de assalto, sequestro ou ameaça dentro do ambiente de trabalho podem levar ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos nos empregados expostos à situação, o que pode ser enquadrado como acidente de trabalho, mesmo quando não há lesão física.
Segundo ela, a legislação previdenciária considera acidente de trabalho todo evento ocorrido no exercício da atividade profissional que cause dano à saúde do empregado, inclusive de natureza psíquica. “O fato de não haver explosivo, ou mesmo uma violência física, não elimina o risco vivido naquele momento. O trabalhador foi submetido a uma situação real de medo, tensão e receio pela sua própria vida, o que pode desencadear transtornos psicológicos”, afirma.
Bancários estão entre os mais expostos
Casos envolvendo agências bancárias são recorrentes e colocam uma categoria inteira sob risco constante. Paloma Valory destaca que bancários figuram entre os trabalhadores mais expostos à violência urbana no exercício da função, especialmente em grandes centros.
Ela explica que, quando há nexo entre o evento e o adoecimento posterior, a exemplo de crises de ansiedade, síndrome do pânico, depressão ou outros tantos, gerando afastamentos médicos e incapacitando ao trabalho, o enquadramento como acidente de trabalho pode garantir direitos específicos ao trabalhador. “Isso inclui estabilidade provisória após o retorno, possibilidade de benefício acidentário e responsabilização do empregador, a depender das circunstâncias”, pontua.
Impacto não termina no dia da ocorrência
Mesmo quando o atendimento ao público é retomado rapidamente, o impacto emocional pode permanecer. O retorno ao posto de trabalho, muitas vezes no mesmo local onde ocorreu a ameaça, pode gerar ansiedade e medo, comumente intensificando o sofrimento psíquico.
Para a advogada, é fundamental que empresas adotem protocolos claros após episódios de violência, com acolhimento dos funcionários, registro formal da ocorrência e acompanhamento médico quando necessário. “Ignorar os efeitos psicológicos desses eventos é negligenciar um risco real de adoecimento ocupacional”, ressalta.
O Banestes confirmou, por nota, que houve uma tentativa de assalto na agência e que nenhum objeto explosivo foi encontrado com o suspeito. A instituição informou ainda que a polícia foi acionada imediatamente e que a situação foi rapidamente controlada.









