A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu um casal que vivia uma vida de luxo e ostentação através de golpes. O dinheiro vinha de vítimas de estelionato cometidos por Antony de Oliveira Braz Amorim, 28 anos, e a companheira dele, Géssica Bermudes Sopeletto, também de 28 anos, que prometiam consórcio para imóveis. Além dos dois, uma dupla está sendo procurada como parceiros nos crimes. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (12).
De acordo com o titular do 3º Distrito Policial de Vitória, delegado Diego Bermond, as investigações tiveram início em março deste ano, depois que uma vítima procurou a equipe para falar sobre o crime. “A primeira vítima foi até a delegacia dizendo ter levado um prejuízo de R$60 mil reais. Ela contou que por meio de uma plataforma digital, viu um anúncio de imóvel e ligou para o número informado. Foi aí que a vítima se encontrou e achou que estava fazendo um negócio com Antony, mas na verdade estava caindo em um golpe”, disse.
O delegado relatou que o escritório do suspeito, um pequeno box na Enseada do Suá, em Vitória, era alugado no valor de R$ 4 mil por mês. O local era preparado para conquistar a confiança das vítimas que achavam que estavam fechando negócios de consórcio para conseguir um imóvel.
“Essas pessoas ficam destruídas emocionalmente, porque juntam suas finanças e percebem que caíram em um golpe. Essa vítima que perdeu R$ 60 mil, por exemplo, fez a tratativa de um consórcio com o suspeito, transferiu R$ 20 mil, em seguida R$ 40 mil, tudo para o nome de um ‘sócio’. Quando essa vítima foi fazer algumas cobranças e questionar, ela foi bloqueada por Antony que sumiu sem falar mais nada”, explicou o delegado.
Após o relato da primeira vítima, a equipe localizou outras duas pessoas que caíram no mesmo golpe. “Com essas informações foi possível representar um mandado de busca e apreensão e prisão preventiva nos endereços dele – residência e escritório -, local que ele atraia as vítimas, além do endereço dos comparsas. Conseguimos ainda o bloqueio total das contas dele e da esposa que era ativa nos golpes chegando a se passar por secretária”, contou.
O delegado Diego Bermond destacou ainda que o mandado de busca e apreensão e prisão preventiva foram cumpridos no dia 24 de abril. “No momento do cumprimento de busca e apreensão, as equipes encontraram uma arma 9mm, vários relógios, carregadores de arma e 383 munições. Isso chamou muito atenção porque geralmente o suspeito de estelionato não tem outros braços de criminalidade.”

Diego Bermond frisou ainda que acredita que haja outras vítimas do crime. “Na casa, ele disse o nome de uma pessoa que seria vítima e que a equipe não tinha conhecimento, e para a quantidade de dinheiro usada por ele, acreditamos que outras pessoas caíram no golpe.”
Em uma busca realizada no escritório, a polícia encontrou materiais relacionados à Caixa Econômica Federal. A polícia esclareceu que o banco e os funcionários não têm nenhum tipo de envolvimento. “No endereço comercial encontramos um calendário da Caixa, panfletos da Caixa, maquininha do banco, tudo isso para passar credibilidade”, explicou.
O delegado reforçou ainda que, além dos objetos com o nome do banco, o suspeito se vestia de maneira social para ter credibilidade. “Ele atendia as vítimas numa sala em um local nobre, onde o metro quadrado é um dos mais caros de Vitória. Estamos falando da Enseada do Suá. Além disso, ele se vestia muito bem, com terno, gravata, os valores eram recebidos em nome de pessoa jurídica, que nesse caso são os ‘sócios’, na verdade comparsas dele. A pessoa vendo tudo isso, acreditava.”
Suspeito gasta R$200 mil em festa do filho

O delegado relatou que Antony e Géssica moravam no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, em uma casa de três andares. “Não é uma casa de alto padrão, mas viviam muito confortáveis. Além disso, temos todos aqueles relógios e tivemos conhecimento de que, na festa de aniversário do filho, o casal gastou R$200 mil reais, ou seja, uma vida de ostentação.”
Polícia investiga envolvimento com venda de armas
Ainda de acordo com o delegado Diego Bermond, a polícia continua com as investigações para saber se o suspeito tem relação com vendas de armas ou outros crimes. “Encontramos na casa dele a arma que estava em nome da esposa, vários carregadores de armamentos e munições. Quando questionamos sobre os carregadores, ele disse que era de armas que estavam em uma oficina, depois desconversou e não falou mais nada, por isso as investigações vão continuar para sabermos se existe um envolvimento com a venda de armas.”
Outras vítimas
O delegado reforçou que, além de ser investigado por ter dado o golpe em três pessoas no estado, Antony é investigado também por cometer o mesmo crime contra 12 pessoas em São Paulo. “Existe um procedimento em andamento pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), desde 2022, onde ele supostamente cometeu o crime em 2021. Conversamos com o delegado de lá para trocarmos informações e Antony ser responsabilizado”, completou.
O delegado pontua que, juntando os crimes em São Paulo e procedimentos em andamento na Defa, o prejuízo passa de R$ 450 mil.
A Polícia relata que Antony de Oliveira Braz Amorim já possui passagem por roubo, estelionato e violência doméstica. Agora, o suspeito foi indiciado três vezes por estelionato, associação criminosa e posse ilegal de acessório de arma de fogo de uso restrito.
Géssica Bermudes Sopeletto foi indiciada duas vezes por estelionato e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Comparsas foragidos
O delegado frisou que os dois comparsas seguem foragidos. Os dois homens foram identificados como Hudson Batista de Sousa Graúna, de 39 anos, e Wender Vitor Pereira Gonzaga, de 24 anos.
Os dois atuavam de forma passiva, emprestando o nome e realizando o contrato em nome deles.

Hudson e Wender são investigados por estelionato e associação criminosa.









