Criança deixada morta em PA foi espancada, tinha drogas no organismo e fígado rompido

A perícia da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) encontrou diversos traumas no corpo e drogas no organismo do menino Davy Lucas Cândido Rodrigues Pedrosa, de 3 anos e sete meses, que deu entrada no Pronto Atendimento (PA) de Alto Lage, em Cariacica, no 17 de setembro, já sem vida. A criança teve o fígado rompido por conta de agressões.

As informações foram repassadas na tarde desta terça-feira (03), pelo adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica, delegado Michel Pessoa Fernandes.

Segundo ele, durante investigações, a perícia identificou drogas no organismo da criança, além de múltiplos traumas pelo corpo.

“Foi detectado o consumo de entorpecente, mas não podemos afirmar se alguém ministrou essa droga no menino ou se ele pegou. Isso porque na casa onde ele vivia encontramos cigarros, material de embalo de drogas fechado, pedras de craque na sala, em cima do chinelo e no quarto do casal. Além disso, a equipe da perícia localizou no quarto das crianças, um pino de cocaína vazio. Lembrando que a criança tinha três anos, uma idade de curiosidade, ele pode ter pensado que era uma bala ou algo do tipo e colocado na boca”, contou.

Fígado rompido foi causa da morte 

O delegado destacou que a criança sofria com agressões diariamente. Davy tinha várias marcas pelo corpo como hematomas, vermelhidão, além de trauma no crânio e tórax. “Ele morreu por anemia aguda por laceração do fígado, isso significa que o fígado do menino estava rompido, o que pode ser proveniente das agressões. Foi esse trauma que levou a criança à morte. Ele tinha ainda uma marca nas costas que parecia ser agressão utilizando uma ripa”, detalhou Michel Pessoa. 

Segundo o delegado, Davy apanhava tanto da mãe, Thais Candido Pedrosa, de 24 anos, quanto do padrasto, Fábio Santos da Silva. “Um familiar disse que a criança parecia ter espectro autista. Fomos buscar informações nas creches que ele estudou, tanto em Vitória quanto em Cariacica, tivemos a informação de que ele era saudável, esperto e hiperativo. É possível que a mãe não sabia lidar e, com falta de paciência, agredia o próprio filho”, disse.

Durante depoimento, o padrasto que está preso contou que a mãe de Davy o empurrou e o menino caiu em cima do braço. “O bracinho esquerdo dele tinha um trauma, que pode ser dessa queda”, ressaltou o delegado. 

Não foi remédio que matou a criança

Durante depoimento, o padrasto de Davy disse que a criança foi levada ao hospital porque o menino passou mal depois de ingerir um remédio. “Ele disse que deu sete gotas de ibuprofeno para a criança. O Davy tinha cerca de 15 quilos, essa dosagem não é suficiente para fazer mal e causar o que causou em Davy”. 

Irmã com sinais de agressão física 

Na época do crime, a irmã de Davy, uma menina de 1 ano e 10 meses, também deu entrada no hospital. A menina foi levada ao Pronto Socorro do Hospital Infantil, em Bento Ferreira, Vitória, também no dia 17 de setembro, horas depois do irmão.

A menina estava com marcas de agressão quando chegou ao local. O delegado informou que a criança estava com marcas no corpo e no interior dos lábios. “Ela chegou com sinais de maus tratos, marcas de beliscões, trauma dentro da boca, membros superiores. Mas destacamos que ela não sofreu agressão sexual”, afirmou Michel Pessoa. 

O delegado ressalta que, diferente da irmã, Davy Lucas sofreu abuso sexual. “Foi encontrado um alto índice de PSA que sugere que ele tenha sido vítima de violência sexual”. 

Criança deixada morta em PA foi espancada, tinha drogas no organismo e fígado rompido
Thaís Candido Pedrosa, mãe de Davy Lucas – Foto: divulgação

Mãe viajou para buscar drogas

Michel Pessoa Fernandes conta que, no dia em que os filhos deram entrada nos hospitais, Thais Candido estaria em Rondônia buscando drogas. Thais tinha um relacionamento com o suspeito a cerca de cinco meses e, há dois, eles moravam juntos, momento em que Thais decidiu viajar e deixar os filhos com o homem.

“Ela deu várias versões diferentes sobre o que estava fazendo fora do estado, mas as investigações mostraram que ela estava em Rondônia buscando drogas que seriam distribuídas no estado. Primeiro foi a versão de que ela estaria lá para trabalhar como babá, em seguida, ela disse que trabalharia como profissional do sexo, para a mídia ela disse que se apaixonou por um homem de lá, por fim descobrimos o real motivo”, destacou. 

O delegado pontua que a droga seria levada para Cariacica. “O suspeito confessou que fazia parte do tráfico de drogas em Vila Velha. Ele disse que atuava como vapor, que é aquela pessoa que vende os entorpecentes. A droga trazida por Thais seria encaminhada ao bairro Santa Cecília, em Cariacica”, relatou.

Michel Pessoa reforça que a mãe das crianças foi a Rondônia a mando de dois traficantes de Viana procurados por homicídio.

Polícia pede ajuda para encontrar foragidos

A Polícia Civil (PCES) pede ajuda para encontrar suspeitos foragidos. Mateus Gomes, de 27 anos, e Lucas Viana, 28, são apontados como traficantes de Cariacica. “Procuramos os dois por homicídio. Eles teriam enviado Thais Cardoso para Rondônia para buscar drogas”, comentou o delegado.

Criança deixada morta em PA foi espancada, tinha drogas no organismo e fígado rompido
Fábio Santos da Silva, 29 anos, e Lucas Viana, vulgo “Lucas Bard”, 28 anos – Foto: divulgação

Suspeitos indiciados por quatro crimes

O delegado completa dizendo que a equipe identificou elementos de informações plurais e coerentes, incluindo provas técnicas. Fábio Santos, padrasto das crianças, está preso desde o dia 18 de setembro. 

O padrasto da criança foi indiciado pelos crimes de homicídio consumado, homicídio tentado, tráfico de drogas, associação para o tráfico e estupro de vulnerável. Ele está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Serra.

A mãe da vítima foi indiciada por homicídio consumado, homicídio tentado, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ela foi presa no dia 12 de novembro, por meio da DHPP de Cariacica, e encontra-se sob custodiada no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC).

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