Polícia prende nove integrantes de grupo que sequestrava e torturava vítimas; um está foragido

Humilhação, extorsão e violência com requintes de crueldade. Nove de dez pessoas que faziam parte do grupo que sequestrava e agredia vítimas foram presas. As vítimas eram atraídas por meio de um aplicativo de relacionamento.  

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), as prisões aconteceram por meio da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS) e com apoio da Superintendência Interestadual e de Captura (Supic). As prisões ocorreram em datas diferentes. Uma mulher trans foi presa no dia 18 de junho e o homem no dia 17 de julho. Outras prisões também já aconteceram. 

Segundo o titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), delegado Alysson Pereira Pequeno, os casos tiveram início em novembro de 2023. A equipe teve conhecimento depois que uma vítima denunciou.

“Esse homem, que foi o primeiro a denunciar, passou um final de semana sendo torturado. Ele foi cortado com faca, queimado com ferro de passar roupa e a família dela ainda foi extorquida. Depois desse episódio iniciamos as investigações e descobrimos outros casos”, relatou. 

Como agiam

O delegado informou que o grupo atraía as vítimas por meio de aplicativo de relacionamento, em sua grande maioria homens acima de 45 anos, com poder alto aquisitivo e, na sua maioria, homossexuais. 

“Eles usavam aplicativo de encontro e marcavam com as vítimas. Essas vítimas eram atraídas até uma residência informada por eles, esses locais eram alugados também por meio de aplicativo. Quando não era dessa forma, esses indivíduos seguiam para a própria casa da vítima, onde eram surpreendidas com a presença de outros criminosos”, disse.  

Alysson Pereira ressalta que, no local, essas pessoas passavam por tortura física e psicológica. “As vítimas eram extremamente torturadas com requinte de crueldade. Elas eram lesionadas com arma branca, golpe de arma de fogo, como coronhadas na cabeça e no corpo, eram queimadas com álcool, com ferro de passar roupa, temos ainda um caso onde a vítima foi obrigada a fazer trabalhos domésticos como capinar quintal e pintar parede, isso enquanto os criminosos faziam churrasco e se divertiam zombando da vítima”, comentou. 

O delegado relatou ainda que as tarefas eram divididas pelos suspeitos. Parte atraia as vítimas, outra parte vigiava enquanto elas estavam acorrentadas e sofriam violência. Alguns integrantes emprestavam a conta para que as transferências fossem realizadas.

Alysson Pereira conta ainda que o grupo extorquiu mais de R$ 300 das vítimas. “Por alto, juntando as vítimas, eles fizeram mais 300 mil reais. Isso porque eles também roubaram  veículos, realizaram a extorsão como senha de cartão, transferência bancária via pix, extorsão mediante sequestro onde familiares das vítimas eram extorquidos”, comentou o delegado. 

Primeiras prisões

O delegado destacou ainda que as primeiras prisões aconteceram em janeiro, sendo um casal – um homem, de 26 anos, e uma mulher trans, de 25 anos. Os dois estavam no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra. A última prisão foi de um homem de 23 anos, no bairro Laranjeiras, no mesmo município. 

“Tivemos dificuldade de realizar as prisões justamente porque eles alugaram locais ou ficavam na casa das vítimas. Mas as prisões foram feitas e estamos a procura do último integrante que já está com mandado de prisão em aberto e conseguimos estancar essa onda de sequestros. ”, destacou. 

Número de vítimas

O titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), esclareceu que a equipe conta com aproximadamente 20 inquéritos relacionados ao grupo criminoso, mas acreditam que outros casos, além desses, foram cometidos por eles. 

“Acreditamos haver grande subnotificação. Por se tratar de encontros por aplicativos amorosos, por passar pela situação, as vítimas acabam não registrando boletim de ocorrência por vergonha, medo, ou conhecimento de familiares ou amigos. Além disso, um deles informou que eram cometidos cerca de três a quatro sequestros por semana. Todas na grande vitória, principalmente em Serra e Vila Velha”, declarou.  

Foragido

A Polícia Civil relatou que a equipe está em busca de Denilson Santos Alves, de 25 anos, considerado foragido. “O que está foragido tem envolvimento em pelo menos quatro inquéritos. Isso porque eles tinham atividades diferentes e não participaram de todos os casos”, disse o titular.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, disse que a participação da população é essencial na denúncia. “Essas prisões foram muito importantes porque esse grupo vinha praticando extorsão mediante sequestro e tortura. Já tiramos nove das ruas e pedimos que a população ajude. Quem tiver conhecimento dessa pessoa pedimos que faça a denúncia pelo 181, é anônimo, a pessoa terá sua identidade segura”. 

Polícia prende nove integrantes de grupo que sequestrava e torturava vítimas; um está foragido

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