Mulher morta pelo ex em Aracruz foi agredida quando estava grávida, diz polícia

O suspeito de matar a ex-mulher, Aline Ribeiro da Rosa, de 35 anos, continua sendo procurado pela polícia. Felipe Silva de Almeida atirou contra a vítima no último domingo (21), no Bairro de Fátima, em Aracruz, região Norte do Espírito Santo. Na ocasião, Felipe não se importou com a presença de testemunhas ou câmeras. Segundo a polícia, o suspeito agrediu a ex mesmo quando ela estava grávida. 

O titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Aracruz, delegado André Jaretta, relatou que a Justiça expediu o mandado de prisão temporária contra Felipe na segunda-feira (22), por homicídio por motivo fútil, impossibilitando a defesa da vítima e por condição do sexo feminino, o feminicídio. 

André Jaretta destaca ainda que a equipe reuniu elementos de prova do crime como imagens, além de ouvir testemunhas. “Logo na segunda-feira representei pela prisão do autor. A Justiça prontamente acolheu. Desde então, a nossa equipe não mede esforços na tentativa de localizar e prender o autor desse crime bárbaro”, comentou.

Advogados do suspeito procuraram a polícia

Segundo Jaretta, os advogados de Felipe entraram em contato com a polícia nesta terça-feira (23) para informar que o homem deseja se entregar. 

“Na tarde de hoje, os advogados nos procuraram representando o investigado e disseram que de fato é de interesse dele se apresentar. Porém, não marcaram data, hora ou nada do tipo. Independente da vontade dele se apresentar ou não, a polícia faz seu trabalho e persiste na tentativa de prendê-lo. Se ele se apresentar, será preso da mesma forma”, informou o delegado.

Jaretta esclarece que, no dia do crime, Felipe foi até o bar onde a vítima estava e ocasionalmente a encontrou no local. “Ao ver a vítima, ele tentou tirá-la de lá. Ele tentou forçar a vítima a entrar no carro dele, mas ela se recusou. Felipe foi embora com o carro, momento em que Aline falou com conhecidos que estava com medo e que iria chamar a polícia”, contou. 

O titular da DHPP afirmou que a mulher chegou a acionar a Polícia Militar (PMES), mas foi assassinada antes que os policiais chegassem ao local. “Infelizmente ele voltou e, antes mesmo da Polícia Militar chegar, ele acabou concretizando o crime”.  

Vítima apanhava enquanto estava grávida

O delegado ressaltou ainda que não foi a primeira vez que a mulher sofreu agressão por parte do acusado. Felipe já havia batido nela, inclusive durante a gravidez. 

“A polícia também tem informação de que ele já era um homem violento, que já tinha praticado outras agressões. As investigações mostraram que, desde o início do relacionamento, o autor se apresentava como uma pessoa violenta, um indivíduo possessivo que habitualmente cometia agressões físicas contra a vítima. Ela sofria ameaças que, por vezes, até no período gestacional foi agredida. E era de conhecimento também de que ele era usuário de drogas, que possuía arma de fogo”, disse. 

Jaretta destaca ainda que o suspeito era controlador, impedindo a vítima de ver os amigos. “Ele sempre se demonstrou como um indivíduo agressivo, tentando trancar a vítima, inibir qualquer movimentação, até o acesso da vítima a colegas, amigos.”

Ainda de acordo com o delegado, Aline tinha um boletim de ocorrência aberto contra Felipe. “De fato, ela registrou uma única ocorrência, apesar de se relacionar nesses cinco anos. Esse histórico prolongado de agressões e violências praticadas pelo autor, ela só registrou uma ocorrência a cerca de uns dois meses, contando que o investigado teria ido na casa da mãe dela, em uma zona rural, uma oportunidade que ela não estava na casa e que ele teria atirado de forma intimidatória”, disse o chefe da DHPP.  

Segundo André Jaretta, a ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Aracruz, momento em que a vítima foi ouvida e foram tomadas medidas protetivas. O delgado ressalta ainda que outras medidas haviam sido concedidas, porém, logo após a concessão, Aline foi pessoalmente pedir a revogação das mesmas. “Por um próprio pedido da vítima, essas medidas policiais foram revogadas”, explicou. 

 

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