O carnaval começa a agitar os foliões e os golpistas vêm de carona. Pedro Henrique Ramos Santos é suspeito por ao menos 12 pessoas de ter vendido ingressos falsos para assistir ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na Frisa, que são as mesas de pistas, onde os expectadores podem acompanhar os desfiles de perto. Pedro Henrique era funcionário da Prefeitura de Cariacica, até a semana passada, ocupando cargo de assessor e já foi candidato a vereador pelo partido Podemos, com o slogan “Pra fazer diferente”.
Uma dessas vítimas é Jace Teodoro, jornalista e comentarista de carnaval. “Ele é conhecido do meio porque já foi da escola Boa Vista, de Cariacica, e depois foi para a MUG, de Vila Velha, duas escolas que não têm nenhum envolvimento com isso. Apenas ele fazia parte de uma escola, e depois foi para outra, como muitos fazem. Ele me abordou oferecendo ingresso e mostrou que pessoas conhecidas minhas estavam interessadas, aguçando a vontade de comprar. Ele apresentou recibo de contrato, de compra e por ser um conhecido e ser do samba, nunca imaginei que iria dar um golpe desses”, comentou.
O jornalista afirma ainda que ao ouvir comentários de que alguém estava dando golpes no Sambão, começou a investigar. “Na segunda-feira, recebi a notícia que uma pessoa estava dando golpe dos ingressos no Sambão do Povo. Fui pesquisar e vi que era a mesma pessoa. Eu acho que ele não está vendendo sozinho, porque apresentou comprovante do vendedor oficial dos ingressos. Acho que ele faz parte de uma quadrilha. Já abri Boletim de Ocorrência e estou aguardando. Se não houver retorno do dinheiro, quero que ele seja preso e pague pelo crime que cometeu. Ele foi muito ousado. Entrei em contato com a mãe dele que afirmou não ter nada com isso e disse que poderia abrir um B.O”, afirmou Jace.
Jace comprou os ingressos no valor de R$ 900 para assistir ao desfile no Rio de Janeiro. O valor foi pago via Pix em duas parcelas nos valores de R$ 500 e R$ 400. Essas informações constam no B.O feito pela vítima.

Jessé Ruffino é cabeleireiro e estava com um trabalho agendado para o carnaval e a pessoa que o contratou não estava conseguindo comprar Frisa, mesmo estando no Rio. Então, a pessoa disse para Jessé que um grupo de amigos em comum comprou ingressos com um rapaz de Vitória, Pedro Henrique. Segundo Jessé, o rapaz vendeu muitos ingressos para acompanhar o carnaval capixaba e o carioca.
Jessé relata que até semana passada, Pedro Henrique estava respondendo a todos por aplicativos de conversa, tirando dúvidas, sem levantar nenhuma suspeita. “Ele estava organizando a entrega dos ingressos e, nessa semana, ele bloqueou a todos e sumiu. Eu comprei Frisa, andar C, no valor de R$900 o dia, eu ganhei um dia e paguei o restante. O prejuízo foi de R$ 3.600. A maioria dos amigos que estava comprando com ele eram casais. Teve gente que ele vendeu Frisa com hotel, ou seja, um prejuízo ainda maior”, detalhou.
Frisa
As Frisas são os melhores ingressos para assistir aos desfiles no carnaval do Rio de Janeiro. Localizadas ao nível do chão, o mais perto possível da pista, em quatro filas, de A a D. Cada Frisa acomoda até seis pessoas dentro de um pequeno espaço.
Quando você compra uma Frisa, fica livre para levar comida e bebida, ou se preferir, pode consumir tudo no local, que possui restaurantes com atendimento feito por garçons. Jessé comprou no lote C, que estava sendo vendido a mais de 5 mil reais, que foi rateado para seis pessoas. “A Frisa que comprei estava nesse valor, mas as outras eram bem mais caras”, disse.

Jessé e o companheiro já registraram o B.O. e diz que outras pessoas estão fazendo o mesmo. “Ouvi dizer que o pai dele arrumou um carro emprestado para dar fuga e a mãe dele não quer mais falar com ninguém. Ela mandou a gente acionar a Justiça”, contou.
As irmãs Jussara Maria de Carvalho e Adélia Regina de Carvalho investiram quase R$ 8 mil reais; Jussara é costureira e sua irmã é funcionária pública aposentada. “Nós compramos mesa do desfile daqui (Vitória), Frisa para sábado, domingo e segunda-feira no Rio de Janeiro e hotel de 9 a 18 de fevereiro no Rio”, afirmou Jussara.
Elas relatam que fizeram vários depósitos na conta do ex-assessor e que depois que souberam que foram vítimas de um golpe, já procuraram a polícia para fazer o boletim de ocorrência.
Exoneração
Pedro Henrique foi exonerado na última sexta-feira (02), primeiro dia do carnaval capixaba. Ele era assessor adjunto do gabinete da secretaria de Finanças (símbolo C-3). EM nota, a prefeitura informa que a partir do momento em que tomou conhecimento dos fatos foi lavrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil e o referido servidor foi imediatamente exonerado das funções, conforme publicação no Diário Oficial do município de terça-feira (06).
Em nota, a Polícia Civil informa que uma vítima registrou o boletim pela internet, que foi validado pelo 7º Distrito Policial de Vila Velha na segunda-feira (05). Uma segunda vítima registrou um boletim de ocorrência na terça-feira, na Delegacia Regional de Vila Velha. O caso segue sob investigação e não há outras informações que possam ser divulgadas.
A reportagem do ES Hoje não conseguiu contato com Pedro Henrique e seus pais.









