Suspeitos de realizarem delivery de drogas como motoboys são presos

Três suspeitos de uma associação criminosa envolvida na clonagem de cartões de crédito para aquisição de pneus online foram presos nesta quinta-feira (21) e terça-feira (19). O grupo utilizava os lucros obtidos para comprar drogas, que vendiam por meio de um serviço de entrega.

Na operação, foram apreendidas grande quantidade de drogas, notas fiscais de pneus de alto valor, bem como máquinas de cartão de crédito.

O delegado-geral da Polícia Civil (PCES), José Darcy Arruda afirma que são prisões importantes, pois representam a retirada de mercado de uma organização criminosa que vem fraudando o comércio e cujo dinheiro arrecadado estava sendo investido no tráfico de drogas, ainda utilizando como delivery uma marca importante de entrega de alimentos.

“Existem pessoas do mal, mas também tem pessoas do bem, que trabalham sério, que ganham o seu pão com o suor da noite. Foi uma prisão extremamente importante, porque estava causando um grande prejuízo a grandes empresas que têm o dever e o compromisso de recolher impostos para o Estado”, diz ele.

O chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, explica que é uma organização criminosa que já estava sendo investigada há mais de 6 meses.

Eles causaram grande prejuízo a uma empresa de pneus, foram mais de 170 negociações e esses criminosos utilizavam-se de cartões clonados em nome de terceiros para comprar e realizar contas. Assim que o pneu chegava no município da Serra, na residência deles, eram vendidos por metade do preço e com esse lucro ilícito, eles compravam drogas.

Segundo o delegado, no momento da prisão havia aproximadamente 25 quilos de maconha e mais de 200 comprimidos de ecstasy. “Nós efetuamos a prisão em flagrante de um indivíduo e outros dois conseguiram empreender fuga. No outro dia, como estava ininterrupta essa perseguição, nós conseguimos prender os outros dois indivíduos em um hotel na Praia Grande, em frente à praia”.

“Eles estavam curtindo com um dinheiro que é ilícito, que causava prejuízo a essa empresa. Nós calculamos em torno de mais de R$1 mi, porque tinha pneu avaliado até em cinco mil reais. Nós já sabemos que tem outros envolvidos nessa organização criminosa e também vamos investigar comerciantes que estavam comprando esses pneus, porque pela desproporção do valor, isso no mínimo entra em um crime de receptação dolosa”, explica ele.

Monteiro relata que eles entravam no ambiente web e conseguiam dados de terceiros e com isso efetuavam uma compra com cartões fraudulentos, causando prejuízo à empresa que logo após a pessoa que teve os seus dados vazados pedia à operadora de cartão de crédito para estornar. Quem ficava com prejuízo era a empresa.

O que chamou a atenção da polícia é que no momento da prisão foram encontradas uma caixa térmica de uma empresa que entrega alimentos e embalagens de hambúrguer muito bem confeccionadas. Em entrevista com esses criminosos, eles informaram que se disfarçam de entregador de motoboys de delivery para entregar drogas.

“Há seis meses eles já vinham causando prejuízo a essa empresa de pneus e nós começamos a investigá-los e a acompanhá-los até o momento que conseguimos rastrear a compra fraudulenta de uma carga, tanto que no momento da prisão haviam 83 pneus novos na residência onde eles estavam”, relata ele.

Os três indivíduos presos em flagrante possuíam passagem por tráfico de drogas e as investigações vão se aprofundar para identificar e pedir as prisões de outros integrantes dessa organização criminosa. “Nós agora vamos pedir quebra de sigilo bancário para saber onde estava indo o dinheiro”.

Em relação a clonagem de cartão, todos confessaram, mas em relação às drogas não, porém a droga estava na casa onde eles residem, era um crime permanente, por isso foram presos em flagrante.

No mesmo momento a polícia entrou em contato com o representante da empresa de pneus no estado, ele já foi à delegacia, foi feito um auto de entrega desses pneus e agora vão tentar localizar esse dinheiro que a empresa sofreu em conta bancária desses criminosos.

“É um crime que não é fácil de solucionar, porque é cometido pelo meio eletrônico, por isso que eles vão responder por estelionato qualificado, que a pena é mais grave que um estelionato simplesmente por ser por meio eletrônico, o que dificulta as investigações da polícia civil”, aponta ele.

Dessa forma, o delegado afirma que essa organização criminosa vai responder pelo crime de estelionato qualificado, organização criminosa e tráfico e associação ao tráfico de drogas, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.

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