Pelo menos 50 pessoas de uma mesma organização criminosa especializada em furto de veículos de luxo já estão presas, sendo as últimas 4 no Espírito Santo na última sexta-feira (11). De acordo com a Polícia Civil capixaba, a quadrilha agia como uma pirâmide financeira e a atuação deles, sempre nos aeroportos, chegou a levar sete carros do modelo Toyota Hilux até abril, quando as investigações começaram no Estado.
Em apenas um mês, seis veículos foram furtados, cujo prejuízo chega a R$ 300 mil, avalia a polícia. Em todo país pelo menos 22 carros foram roubados no estacionamento do Galeão (Rio de Janeiro), 15 em Confins (São Paulo) e outras em terminais de São Paulo e Paraná, por exemplo. Os prejuízos, em todas as ações, ultrapassam a ordem dos R$ 150 milhões.
Foram presos, na última semana, três pessoas em Vila Velha e Serra, e em conjunto com a Polícia Civil do estado de Minas Gerais, mais um integrante da quadrilha no estado mineiro. Foram três mandado de prisão e uma de prisão preventiva e os suspeitos vão responder por organização criminosa, furto qualificado mediante concurso de pessoas e mediante fraude e envio de veículo automotor para outro estado.
Segundo o chefe da PCES, delegado José Darcy Arruda, as investigações continuam. “Estamos entregando hoje, a primeira fase da operação Alto Luxo, que aconteceu no aeroporto de Vitória. Nossa polícia está trabalhando em conjunto com as policias de outros estados para a prisão dessa organização criminosa que atua no período em que o condutor do veículo deixa o mesmo no estacionamento do aeroporto, enquanto está viajando”.
De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), Luiz Gustavo Ximenes, a quadrilha é bem organizada. “O modos operandi deles é bem estruturado. A quadrilha entrava no aeroporto com um veículo de cobertura. Estacionavam o carro normalmente e seguiam até o alvo deles. Para destravar o carro, usavam um acessório chamado rastre. Com o carro destravado, mudavam o módulo do carro, peça que pode ser comprada facilmente em lojas virtuais, e se dirigiam até a saída do aeroporto como se fossem donos. Quando era liberada a saída, o carro de apoio saia junto”.
O delegado afirma ainda que furtar esse veículo de luxo não chamava a atenção de ninguém. “Em primeiro lugar, trocar o módulo é comum, essa peça pode queimar e a troca é feita sem precisar desmontar o carro; em segundo lugar, como os veículos ficam no estacionamento do aeroporto por vários dias, o proprietário só fica sabendo que teve seu carro levado, quando retorna de viagem, então nesse período, a quadrilha age tranquilamente, podendo vender para onde for mais lucrativo para a quadrilha”, afirmou.
Ximenes detalhou ainda que a organização criminosa separava os carros por modelo para se comercializarem logo após o crime com facilidade. “Os modelos com start top (que liga o veículo sem a chave) são vendidos para os países vizinhos, e os com chave comum, são adulterados e os receptadores vendem no mercado interno”.
Prevenção
A Polícia Civil se reuniu com a administradora do aeroporto para que medidas fossem tomadas e dificultar o furto. “Na reunião nós sugerimos que a empresa responsável usasse travas de segurança para esses modelos, e nós ficamos com a missão de reprender esse tipo de crime no estado”, afirmou.









