As imagens do atropelamento que vitimou a jovem Luisa Lopes, de 24 anos, na Orla de Camburi, em Vitória, foram divulgadas e estão sendo periciadas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT).
Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (Semsu), numa análise preliminar, no momento do acidente, Luisa estava de bicicleta no canteiro da Avenida Dante Michelini e, ao atravessar fora da faixa de pedestres, foi atingida por um carro que seguia no sentido Serra, quando o semáforo estava aberto para a passagem de veículos.
Não foi detectado um segundo veículo envolvido, conforme sustenta a defesa de Adriana Fesliberto Pereira, principal suspeita pelo atropelamento. A Semsu também afirmou que a investigação é de responsabilidade da Polícia Civil (PC). As imagens serão analisadas pela Perícia Criminal, que elaborará o laudo com as informações colhidas no local.
O advogado Jamilson Monteiro Santos, que faz a defesa de Adriana, disse que esteve na DDT nesta terça-feira (19) e foi informado pelo delegado responsável que o laudo técnico está sendo elaborado.
Somente após a conclusão do laudo técnico é que a defesa vai se manifestar “para não haver prejulgamento”. Procurada, a PC se ateve a dizer que “não há atualizações que possam ser divulgadas no momento”.
O caso

Luisa Lopes, de 24 anos, morreu na noite de sexta após ser atropelada por um carro na orla da praia da Camburi, em Vitória, enquanto andava de bicicleta. A motorista do veículo, identificada como Adriana Felisberto da Silva Pereira, conforme mostram vídeos que a reportagem teve acesso, nega ter ingerido bebida alcoólica, mas é possível perceber a fala arrastada.
De acordo com a Polícia Militar, “foi oferecido o teste do etilômetro à condutora do veículo, porém ela se recusou a fazer”, mesmo estando com “fala alterada, odor etílico, sonolência e dispersão”. Por conta dessas características, os “militares confeccionaram o laudo de constatação psicomotora”.
Aos policiais, mostra outro vídeo, a motorista que conduzia o veículo que atropelou a jovem contou que faz uso de dois remédios antidepressivos e que antes do ocorrido estava em um estabelecimento na Praia do Canto, mesmo afirmando não ter ingerido bebida alcóolica. Ela ainda disse só ter tomado uma garrafa d’água.
Após acidente, Adriana foi encaminhada à 1ª Delegacia Regional de Vitória e levada, em seguida, ao sistema prisional, sendo solta no sábado (16) após decisão judicial que a concedeu liberdade provisória mediante a pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil.
Segundo informações colhidas pelos agentes no local do acidente, “a condutora do veículo, juntamente com a irmã, estavam se deslocando da Praia do Canto para o bairro Jardim Camburi pela Avenida Dante Micheline após saírem de um bar”. Já a ciclista, explica a nota, “estava na ciclovia atravessando a via sentido ao bairro Jardim da Penha”.
A condutora do veículo foi encaminhada à 1ª Delegacia Regional. Procurada, a Polícia Civil (PC) disse que “a ocorrência não foi localizada no plantão vigente” e explicou que “durante finais de semana, feriados e pontos facultativos a assessoria só tem acesso às ocorrências e autuações do plantão vigente das Delegacias”, já que os cartórios onde as ocorrências de plantões finalizados são consultadas funcionam de segunda a sexta-feira, em dias úteis.
Famílias e amigos organizam protesto
Familiares e amigos da modelo e passista da escola de samba Unidos de Jucutuquara vão se reunir em um protesto nesta terça-feira (19), no local em que a jovem foi atropelada e morta. O ato está marcado para às 18h, na altura do Clube dos Oficiais.
Reunidos em uma corrente com inúmeras mensagens nas redes sociais, pessoas próximas à jovem pedem por “justiça” e ainda questionam a informação, não confirmada, de um possível segundo veículo envolvido no acidente. Eles também pedem, além das imagens de câmeras de segurança para comprovar a versão, “maior seriedade de todos” com o caso.
“O carro ficou destruído. Todas as testemunhas oculares afirmaram que não existiu outro carro, que ela foi a única a atropelar e arrastar minha amiga por metros. Estão tentando salvar a pele da assassina. Não vamos nos calar”, frisa um trecho de uma publicação que começou a ser compartilhada.
Defesa da motorista

No domingo (17), em conversa com o ESHoje, a defesa de Adriana, representada pelo advogado Jamilson Monteiro, disse que ainda não é possível afirmar que a motorista foi quem causou o acidente, tendo em vista que existe a informação, ainda não confirmada, de um possível segundo veículo envolvido no caso, conforme consta na decisão do juiz José Leão Ferreira Souto.
Por outro lado, a defesa não nega que o veículo de Adriana está envolvido no acidente. “O juiz da custódia soltou ela [Adriana Felisbert] porque ela foi autuada só por dirigir embriagada. O envolvimento no acidente é o que demanda maiores apurações. É isso que vai acontecer nos próximos dias. É ir atrás de filmagens, ver se tem alguma câmera que gravou, procurar testemunhas que tenham presenciado… Não especulação”.









