IA preditiva ganha espaço nas empresas e transforma planejamento estratégico

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta voltada à automação de tarefas e passou a ocupar um papel estratégico nas empresas. Com o avanço da chamada IA preditiva, organizações de diferentes setores têm investido em soluções capazes de antecipar tendências de consumo, prever oscilações na demanda e identificar riscos antes mesmo que eles ocorram.

O movimento acompanha uma transformação global no uso da tecnologia. Estudos da consultoria McKinsey & Company apontam que a Inteligência Artificial Generativa tem potencial para automatizar até 70% das atividades comerciais em praticamente todas as ocupações. Em vez de substituir trabalhadores, a tendência é que a tecnologia assuma tarefas operacionais, permitindo que os profissionais se concentrem em funções mais estratégicas.

Para o diretor de Tecnologia e Inovação da Globalsys, Beto Yunes, a principal mudança proporcionada pela inteligência artificial está na capacidade de reduzir incertezas e ampliar a qualidade das decisões empresariais.

“Durante muitos anos, as empresas tomaram decisões olhando apenas para o histórico do negócio. Hoje, a inteligência artificial permite olhar para frente. Ela identifica padrões que passariam despercebidos por uma análise humana e entrega previsões que tornam o planejamento muito mais assertivo”, afirma.

Segundo o especialista, modelos preditivos já são utilizados em setores como varejo, indústria, saúde, logística e mercado financeiro para prever o comportamento do consumidor, estimar a demanda por produtos, indicar a necessidade de manutenção de equipamentos e até calcular riscos de inadimplência.

Na avaliação de Yunes, o diferencial da IA está justamente na capacidade de antecipar cenários.

“O valor da inteligência artificial não está apenas em responder perguntas, mas em antecipar respostas. Quando uma empresa consegue prever o que provavelmente vai acontecer, ela ganha tempo para agir antes da concorrência”, destaca.

Dados ainda são desafio para empresas

Apesar da evolução da tecnologia, especialistas alertam que muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para aproveitar todo o potencial da inteligência artificial. O principal obstáculo é transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a tomada de decisão.

De acordo com Beto Yunes, diversas empresas já possuem uma quantidade significativa de dados, mas essas informações permanecem distribuídas em diferentes sistemas, sem integração.

“Muitas empresas possuem dados suficientes para gerar previsões extremamente valiosas, mas essas informações continuam isoladas em diferentes sistemas. Sem integração e governança, a inteligência artificial perde eficiência porque não consegue enxergar o negócio de forma completa”, explica.

Outro equívoco recorrente, segundo o executivo, é acreditar que a tecnologia seja capaz de resolver problemas de forma independente.

“A IA não substitui estratégia nem conhecimento de negócio. Ela potencializa a capacidade das pessoas tomarem melhores decisões. Os melhores resultados aparecem quando tecnologia e inteligência humana trabalham juntas”, ressalta.

Tendência é ampliar apoio às decisões estratégicas

Para os próximos anos, a expectativa é de que os investimentos deixem de priorizar apenas ferramentas de automação e passem a focar plataformas capazes de apoiar decisões estratégicas em tempo real.

Segundo Yunes, essa mudança representa uma nova etapa na evolução da inteligência artificial dentro das empresas.

“A próxima fase da inteligência artificial será menos sobre automatizar tarefas e mais sobre prever cenários. Empresas que conseguirem incorporar essa cultura terão ganhos importantes em competitividade, eficiência operacional e capacidade de inovação”, conclui.

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