O capixaba quando sente a temperatura cair para menos de 21° já tira do armário de gorro às botas. Mas o inverno é uma das estações mais sofridas para quem tem alergias. E, com o vento frio, algumas doenças chegam afetando inclusive a saúde dos nossos olhos.
O inverno tem por característica o clima mais seco, que é possível notar na pele ressecada, e apesar de não percebermos imediatamente, os olhos também sofrem, como diz a oftalmologista Iara José Tavares. “Essa época do ano é mais seca, em dias que está ventando muito a incidência de irritação ocular por ressecamento, por quadros alérgicos”, afirmou.
No inverno é normal ficarmos em ambientes mais fechados, aumentando os quadros virais, com gripes e resfriados, conjuntivites e quadros alérgicos. Mas o que esses quadros interferem na saúde dos olhos? “Os mesmos alergênicos que irritam a mucosa respiratória, e em algumas pessoas causa a renite, em outras causa asma, em outras pessoas irritam a membrana que cobre o branco do olho, que se chama conjuntiva”, disse a médica.
A especialista afirma ainda que, quando o alergênico entra em contato com a conjuntiva, ocorre uma inflamação pela alergia. É um processo infeccioso, alérgico, e que desencadeia uma reação alérgica em forma de coceira, olhos vermelhos, sensação de cisco nos olhos, que muitas vezes, no inverno é mais comum. “Durante o quadro gripal, ter conjuntivite é comum, geralmente é leve e melhora espontaneamente, mas ao passar de três dias, é necessário procurar o oftalmologista”, disse.
Como evitar
De acordo com a médica, alguns cuidados são fundamentais para evitar problemas oftalmológicos no inverno. “Os mais alérgicos devem usar colírio lubrificante, ele ajuda a lavar e tirar o alergênico dos olhos, diminuindo as crises alérgicas. Quando a pessoa é muito alérgica, corre o risco de não ficar bem apenas usando colírio antialérgico. Nesse caso a recomendação é que o especialista passe a medicação adequada. Se for uma conjuntivite viral, geralmente com três dias melhora, mas caso contrário, a recomendação é sempre procurar um oftalmologista”, destacou.
Mas é preciso tomar ainda mais cuidado, caso você já tenha alguma doença ocular, como o glaucoma, por exemplo. Quem tem essa doença, precisa ficar atento aos medicamentos que pode ou não usar por causa da pressão ocular. Um dos medicamentos que faz a pressão dos olhos alterar é o corticoide, que é muito recomendado para tratar crises alérgicas.
“Se a pessoa tem glaucoma e precisa usar corticoide, o médico vai prescrever a medicação com o menor número de dias possível. Nesse período o médico vai acompanhar a pressão ocular do paciente, caso necessário, troca a medicação que abaixa a pressão até conseguir tirar o corticoide”, afirmou.
A especialista afirma ainda que existem pessoas que têm predisposição e aumentam a pressão só de usar o corticoide como colírio. Então, toda vez que o oftalmologista prescreve corticoide, fica monitorando a pressão do paciente. Existem pacientes que usam corticoide a vida inteira, como por exemplo, pessoas que tem lúpus e precisam de uma alta dosagem da medicação a vida inteira. “Muitas pessoas usam corticoide ao longo da vida sem alteração ocular, ou seja, não existe glaucoma secundário ao corticoide, mas todo oftalmologista quando prescreve essa medicação é por tempo curto e assim que possível, tira a medicação e monitora a pressão”, afirmou dra. Iara.
Hélio Angotti Neto, oftalmologista, faz um alerta sobre o uso do corticoide no tratamento de outros órgãos, que podem ter repercussão nos olhos do paciente. “O ideal é que a pessoa busque aconselhamento com o seu médico, com o profissional que faz o acompanhamento de sua saúde, tentando, na medida do possível, utilizar um medicamento que tenha menos efeitos adversos ou então controlar a dose para que alcance o resultado esperado com o menor número possível de efeitos colaterais”, destacou dr. Hélio.
Independente da estação do ano, o oftalmologista afirma que é possível trabalhar de maneira preventiva, evitando o efeito colateral. “É possível fazer o controle da pressão ocular. Você pode tratar a pressão alta nos olhos com o uso de colírios específicos. Em caso de catarata, a cirurgia é indicada. Vale ressaltar que é possível evitar o efeito colateral grave e sem a possibilidade de evitar o uso de corticoide, pode-se tentar contornar o próprio efeito adverso instituindo uma terapia específica para proteger o paciente”, destacou.










