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Saúde física e mental em dia: a importância dos exercícios na psicoterapia

Que a prática de exercícios físicos é benéfica para diversos aspectos físicos não é novidade. Mas você sabia da importância dessa atividade para a saúde mental? Especialistas apontam os benefícios dessa aliança.

Somente em 2021, por exemplo, 10,9% da população de Vitória acima de 18 anos foram diagnosticados com depressão, segundo a dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Diante do número alarmante, aumentaram, também, as buscas por terapias psicológicas.

De acordo com o psicólogo e Terapeuta Cognitivo Comportamental, André Zonta, a importância de realizar a atividade física em conjunto com a psicoterapia é que ambas são aliadas diretas que contribuem de modo significativo para o bem estar e a saúde mental das pessoas.

“Através da atividade física aliada com a psicoterapia, verifica-se que os hormônios do bem estar entram em ação, proporcionando essa sensação e aliviando sintomas da ansiedade, depressão e do estresse, acarretando, inclusive, em melhora da autoestima, já que a pessoa passa a se enxergar de uma maneira diferente. São alicerces importantes para a saúde mental”.

Paulo Rohor, graduando em educação física, explica que as atividades físicas são complementares ao tratamento psicológico e devem ser recomendadas por profissionais da área.

“Uma vez que a realização da terapia pelos profissionais da psicologia irá amenizar e ajudar o individuo a interpretar os acontecimentos da vida, a atividade física pelos profissionais da educação física irá promover a melhora dos mecanismos de recompensa do corpo com a liberação de neurotransmissores que causam sentimentos de prazer, alivio do estresse pela execução da prática em ambientes agradáveis, gasto de energia acumulada pelo corpo e desvio da atenção da dificuldade enfrentada pelo indivíduo, que passa a focar no novo ambiente que está inserido”.

O psicólogo diz que sempre recomenda a atividade física aos pacientes, visando os efeitos benéficos que essa prática traz. Quando a pessoa pratica, são liberados hormônios no organismo, entre eles, dopamina, serotonina e endorfina.

“Esses hormônios contribuem para o bem estar físico e mental, trazendo alívio ao corpo e à mente. Além disso, praticar atividade física melhora a qualidade do sono e alivia o estresse e sintomas ansiedade e depressão. Aumenta a disposição da pessoa também e melhora o humor”, explica o psicólogo.

O personal trainer, Alexandre Barroso, ilustra a importância de exercícios físicos através de um exemplo. “Essa semana, o meu pai me disse que a moto dele bateu o motor porque ficou parada e sem uso por muito tempo. A primeira coisa para você começar a se exercitar é entender que a sua vida depende disso. O corpo humano não foi feito para ficar parado e, se ficar por muito tempo, sinais claros, entre eles, fraqueza, má qualidade do sono, falta de disposição e algumas dores no corpo, começarão a surgir”.

O que acontece com a mente e o corpo quando realizamos uma atividade física?

Rohor detalha que ocorrem milhares de processos que acontecem no nosso corpo durante a realização de uma atividade física. “Quando estamos pensando na sua relação com a finalidade em auxilio a práticas terapêuticas podemos citar: A melhora do sistema de recompensa do sistema nervoso pela liberação de hormônios como a dopamina, serotonina, noradrenalina. Hormônios capazes de promover as sensações de bem-estar e também de relaxamento pela maior circulação de sangue pelo cérebro”.

Além dos já citados, o profissional acrescenta que a realização de exercícios físico ajuda na promoção de neuroplasticidade, ou seja, a criação de novas conexões no cérebro que ajudam na melhora da atenção, memória, percepção. “Sendo assim, podem ser capazes de ajudar a criar novas conexões neurais para superação de algumas situações incomodas e ser um forte aliado das práticas terapêuticas”.

“O exercício físico e a terapia se conectam quando se trata, principalmente, da melhora psico-comportamental do indivíduo. Junto a terapia, o exercício físico tem uma função poderosa na diminuição de sintomas relacionados a ansiedade e depressão. Melhora da interação social, autoestima, resiliência, melhora da qualidade dos relacionamentos e diminuição do estresse, estão entre os principais progressos relatados por pacientes”, pontua o personal.

Não sou muito chegado a exercícios, o que fazer?

Algo muito comum de acontecer é as pessoas quererem começar a prática de atividade física como se já estivessem praticando há anos, pontua Rohor. “Dessa forma, acabam que entram, por conta própria ou por não terem um profissional que entenda o contexto, em um ritmo de atividade muito intenso sem necessidade. Isso acaba afetando muito a relação com o exercício praticado e elas por desistir dele pelo impacto afetivo negativo causado”.

Segundo ao graduando, existe até um termo técnico para o nível de afinidade aos exercícios praticados, a chamada Escala Afetiva (ou, em inglês, Feeling Scale). “Quando começamos um exercício em um contexto que não estamos acostumados e já não gostamos de praticá-lo, a tendência é que sentimentos afetivos negativos sejam aflorados e estejamos mais perto de desistir por acharmos maçante”.

Paulo Rohor recomenda tornar a atividade física menos maçante através da realização de forma mais branda e aos poucos, em uma progressão e aumento de intensidade com o passar do tempo.

“Com isso, teremos uma resposta afetiva sentida pelo corpo em relação ao exercício menos desagradável, que poderá permitir a continuidade da prática de forma mais duradoura e sem tantos desconfortos”.

Qual atividade fazer?

Uma grande dúvida segue na hora de decidir qual atividade física fazer, afinal de contas, nem todo mundo tem preparo físico ou afinidade para encarar uma academia ou crossfit. Segundo Zonta, a atividade física recomendada é sempre aquele que você se sinta bem fazendo.

“O mais importante é encontrar uma atividade física que combine com a pessoa. Existem inúmeras atividades disponíveis e possíveis e o ideal é fazer um teste para descobrir o que você se sente bem fazendo e, claro, a regularidade e a frequência também serão importantes, da mesma forma que na psicoterapia”.

Depois que você entende isso, diz Barroso, o próximo passo é fazer algo com que se identifique. “Não adianta te recomendar uma corrida ou pilates se você não gosta. Portanto, teste e escolha algo, desde que seja um esporte aeróbico e outro de força, que você consiga ter algum prazer em realizar”, explica.

Para o personal trainer, os exercícios físicos que mais contribuem para a melhora psicocomportamental são os exercícios aeróbicos (caminhar, correr, pedalar, entre outros) e os de força (musculação).

Dentre os principais exemplos, Zonta listou caminhadas ou pequenas corridas, ir a academia onde existem vários aparelhos e praticar esportes coletivos, entre eles, futebol e vôlei.

“Vale ressaltar que é muito importante uma avaliação médica para checar se a pessoa está apta para praticar determinadas atividades físicas, principalmente para quem nunca praticou nada ou está em uma vida sedentária”.

Um ponto destacado por Alexandre Barroso é quanto a constância na prática desses exercícios. “Muitas vezes, é mais fácil você ter aderência (se manter praticando) a algum exercício físico, quando realizado cinco vezes na semana. Isso te traz um hábito de rotina, da mesma forma que tomar banho e escovar os dentes, que você faz todos os dias. Se exercitar de duas a três vezes na semana pode te fazer procrastinar e sabotar o sucesso psicológico com aquela modalidade”.

Segundo Rohor, a atividade física mais recomendada é aquela em que lhe traga algum tipo de benefício e que consiga se manter pelo maior tempo presente na vida. “Não adianta muito realizar a melhor atividade física por apenas três dias. Vale muito mais apenas alguma considerada a décima melhor atividade física, mas que o indivíduo consiga manter por anos”, pontua.

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