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Após desistências de Simone Biles, especialistas alertam para excesso de autocobrança

Depois de desistir de cinco provas nas Olimpíadas de Tóquio ao alegar que precisava preservar sua saúde mental, a ginasta Simone Biles, de 24 anos, levantou uma questão importante sobre a necessidade da conexão entre corpo e mente.

Para a psiquiatra Maria Benedita Reis, alguns atletas podem “travar” na hora da competição. “Essa paralisação costuma estar associada à cobrança excessiva de bons resultados, à rotina rígida, ao excesso de regras, às restrições de lazer, descanso, eventual afastamento da família e amigos e, em geral, baixo suporte psicológico”, explica.

Entre os atletas, o desequilíbrio emocional é mais comum do que se pensa. A médica lembra que, no início deste ano, a segunda melhor tenista do mundo, Naomi Osaka, revelou sofrer crises de depressão.

“Outra possibilidade seria o excesso de cobranças, tanto em relação aos atletas de elite quanto em relação ao próprio mercado de trabalho. A desistência [das provas] de Simone Biles nos leva a pensar que a saúde mental teria deixado de ser um tabu nos tempos atuais”, comenta. 

O psicólogo e terapeuta cognitivo-comportamental, André Zonta, destaca os problemas psicológicos são comuns a todos, até mesmo para uma atleta de alto rendimento e de reconhecimento mundial. “Ela foi corajosa ao expor para o mundo que qualquer pessoa pode estar suscetível a essas questões, até porque, aparentemente, ela não demonstrava enfrentar nenhum problema”, conta.

Ele destaca que mente e corpo trabalham em conjunto. Se as partes não estiverem conectadas, o corpo não responde. “A maior prova disso é que a Simone relatou dificuldades em fazer as acrobacias. Isso poderia causar danos inclusive físicos para ela”, alerta.

Autocobrança

Mesmo sendo medalhista olímpica em edições anteriores dos jogos olímpicos, o psicólogo ressalta a autocobrança como possível fator para a decisão de Biles. O mesmo se aplica às questões comuns ao cotidiano.

Se a gente se cobra o tempo todo e não avalia até que ponto a autocobrança é nossa ou do outro, isso sempre vai gerar uma frustração. Ao mesmo tempo, também se cria uma pressão interna para que a gente acerte o tempo todo. Nós somos humanos e vamos errar. E tudo bem. A questão é reconhecer e seguir adiante”, orienta Zonta.

A pandemia de Covid-19 tem levado a um maior reconhecimento das vulnerabilidades do ser humano. Lidar com o isolamento social, com as mudanças na rotina de trabalho, com a distância de amigos e familiares e com o elevado número diário de óbitos, inclusive de pessoas queridas, foi uma das imposições que vieram acompanhadas do novo coronavírus. De 2020 para cá, especialistas em saúde mental observam um aumento significativo na busca por acompanhamento psicológico. 

Além de trabalhar as questões que fogem do controle humano, como a pandemia, Zonta salienta que o acompanhamento psicológico é indispensável para o autoconhecimento. “Precisamos reconhecer nossos limites e aceitá-los. Se a própria pessoa não faz isso, o outro também não fará. Quando reconheço meus limites, sei onde posso chegar ou quando devo parar”, declara.

Foto: Reuters/Mike Blake

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