Peixe ameaçado de extinção é achado no Rio Itapemirim

Uma tecnologia revolucionária baseada em DNA ambiental (eDNA) revelou a presença de um peixe ameaçado de extinção na bacia do Rio Itapemirim, localizado no Sul do Espírito Santo. Cientistas conseguiram detectar o Trichogenes claviger, popularmente conhecido como bagrinho-de-kaetés, sem a necessidade de capturar um único animal. O achado histórico, fruto da análise de vestígios genéticos em amostras de água de riachos capixabas, foi publicado nesta sexta-feira (19) na renomada revista científica Neotropical Ichthyology.

O estudo foi conduzido em parceria por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Instituto Nossos Riachos. A eficiência do eDNA se mostrou surpreendente: a espécie, que é criticamente ameaçada e exclusiva (endêmica) da região, foi confirmada em três dos dez pontos analisados, expandindo o mapa de ocorrência do animal no território capixaba.

Tecnologia de DNA ambiental revela biodiversidade invisível no ES

Diferente das vistorias tradicionais com redes e armadilhas, a técnica de DNA ambiental analisa as células, fezes e tecidos que os animais liberam naturalmente na água. Os resultados locais impressionaram os cientistas e redesenharam o panorama da fauna regional.

“O eDNA amplia nossa capacidade de enxergar a biodiversidade invisível. A técnica de DNA ambiental demonstrou desempenho superior aos métodos tradicionais de coleta, identificando mais que o dobro de espécies por ponto amostrado”, explica Juliana Paulo da Silva, pesquisadora do INMA e primeira autora do artigo.

Além de ser muito mais precisa, a metodologia reduz drasticamente o impacto sobre os ecossistemas, o que é fundamental quando se trabalha com fauna sob risco severo de desaparecimento. Ao todo, as coletas de água revelaram o rastro de 25 espécies de vertebrados na região do Rio Itapemirim, englobando 15 tipos de peixes, além de aves e mamíferos nativos.

Peixe ameaçado de extinção é achado no Rio ItapemirimAmeaça ambiental na Mata Atlântica do Sul do Espírito Santo

Apesar do entusiasmo com a descoberta do bagrinho-de-kaetés, o monitoramento genético acendeu um alerta vermelho para a conservação ambiental no Sul do Estado. As amostras detectaram a forte presença de espécies exóticas, como as tilápias. Por não serem originárias dali, elas competem diretamente por espaço e alimento, sufocando e ameaçando a fauna nativa local.

Por outro lado, as águas analisadas também apontaram a presença de uma espécie de ave que consta na lista de animais ameaçados de extinção no Espírito Santo, o que eleva o valor ecológico e a necessidade de proteção imediata dessas microbacias.

Próximos passos para salvar o bagrinho-de-kaetés

Para a comunidade científica, o sucesso da pesquisa funciona como um guia prático para políticas públicas ambientais e fiscalização no ecossistema capixaba. Saber exatamente onde a espécie resiste permite blindar essas áreas contra a degradação.

“O avanço permite monitorar com maior precisão a presença do bagrinho-de-kaetés e também orientar estratégias de conservação mais eficazes para os riachos de cabeceira da Mata Atlântica capixaba, ambientes fundamentais e altamente vulneráveis”, destaca o pesquisador Heron Oliveira Hilário, da PUC-MG.

Os achados provam que a ciência de ponta feita no Espírito Santo é o caminho mais seguro contra a perda de biodiversidade. Mesmo em pequenas porções de água, estão escondidas as respostas e os dados decisivos para salvar riachos inteiros e garantir que espécies raras tenham a chance de sobreviver.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas