A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) anunciou que pretende concluir até o fim deste ano a integração dos sistemas de monitoramento de enchentes e seca do Espírito Santo em uma única plataforma digital, com o objetivo de ampliar a prevenção de desastres naturais e fortalecer a gestão hídrica no Estado.
O avanço foi apresentado durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Pode), e prevê a unificação do Sistema de Alerta do Rio Itapemirim (Sari), voltado ao acompanhamento de cheias e inundações, com o Hidro.ES, ferramenta utilizada para previsão de estiagem. A integração será desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Segundo o diretor de Recursos Hídricos da Agerh, José Roberto Jorge, a proposta é criar um sistema único capaz de apresentar, em tempo real, riscos de enchentes, níveis dos rios, previsões de chuva e cenários de seca em diferentes regiões capixabas.
Atualmente, o Sari opera nas bacias dos rios Itapemirim e Itabapoana. No Rio Itapemirim, moradores de Cachoeiro de Itapemirim conseguem receber alertas com cerca de 12 horas de antecedência quando há elevação do nível da água proveniente da barragem de Francisco Gros, em Alegre. Já na bacia do Itabapoana, devido à menor extensão hidrográfica, o aviso chega com aproximadamente duas horas de antecedência.
A expectativa da Agerh é iniciar um projeto piloto da nova plataforma integrada nas bacias do Jucu ou do Santa Maria da Vitória antes de ampliar o modelo para outras regiões do Estado.
Além da integração entre seca e enchentes, a agência também apresentou o Hidro.Agerh, nova plataforma digital com previsão de funcionamento até o fim deste semestre. O sistema reunirá, em um único ambiente virtual, dados sobre monitoramento hidrológico, qualidade da água, segurança de barragens, previsões meteorológicas, mapas, gráficos e indicadores atualizados das bacias hidrográficas capixabas.
De acordo com a Agerh, a ferramenta permitirá, por exemplo, que produtores rurais consultem previsões de chuva antes de acionarem sistemas de irrigação, além de facilitar o acesso de cidadãos e usuários a informações sobre recursos hídricos.
Outro ponto destacado foi a modernização da análise de pedidos de outorga para uso da água. Segundo José Roberto Jorge, o Hidro.Agerh terá capacidade para automatizar cerca de 80% das análises de requerimentos, acelerando respostas para usuários e permitindo que equipes técnicas concentrem esforços em processos mais complexos e grandes empreendimentos.
Durante a apresentação do balanço do Programa Nacional de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Agerh informou que mais de 11 mil usuários foram atendidos no ano passado com emissão de documentos relacionados ao uso da água para irrigação, consumo e outras atividades.
A agência também informou que possui atualmente 28 estações de monitoramento hidrológico em operação no Espírito Santo, com previsão de expansão para 32 até o fim deste ano e 43 estações até 2027, com a aquisição de mais 11 equipamentos.
Na área de qualidade da água, o programa QualiRios realiza monitoramento em 100 pontos distribuídos pelas principais bacias hidrográficas do Estado, classificando a água em categorias que variam de excelente a muito ruim.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, Fabrício Gandini, a prestação de contas demonstrou avanços na estruturação da política hídrica estadual.
“A Agerh é uma instituição importante para o Estado e está se estruturando para gerar mais informações e melhorar a tomada de decisões sobre inundações e períodos de seca. A comissão tem se debruçado sobre o tema dos recursos hídricos neste ano, discutindo qualidade da água dos rios e do mar”, afirmou o deputado.









